7.1.22

Tolice, Neil deGrasse Tyson

Ao receber algumas perguntas de admiradores, quem sabe, Neil deGrasse Tyson desenvolve argumentos realmente impressionantes no livro Respostas de Um Astrofísico, desde reflexões pessoais até questões filosóficas, abordando Deus inevitavelmente, embora deixando leitores perplexos com tamanha ingenuidade.
Os Atributos da Ciência
Jean-Baptiste Simeon Chardin. Os Atributos da Ciência.
1. Permita-se ceder poucos minutos para acompanhar o pensamento de um Astrofísico quando perguntado sobre que nível de evidência seria necessário para convencer um cético sobre a possibilidade de Deus existir. Assim sendo, pouco ponderando ou fazendo propositalmente, dispara algumas frases soltas na esperança de fazerem sentido:

2. “Com frequência, penso sobre o que serviria como evidência para a existência de Deus. Que tal se, depois de equiparar renda e acesso a plano de saúde, todas as pessoas devotas vivessem mais do que pessoas não devotas? Que tal se, numa queda de avião, só as pessoas religiosas sobrevivessem? Que tal se Jesus voltasse quando as pessoas dissessem que ele iria retornar? (Sua volta já foi prevista por cristãos em centenas de ocasiões no decorrer dos últimos 2 mil anos.)”.

3. Antes de continuar lendo a transcrição daquilo que foi colocado na página 121 do mencionado livro, editado pela Record no Brasil em 2020, observe como Neil deGresse Tyson utiliza a mecânica quântica para saltar de um questionamento conhecido para qualquer outro ainda indeterminado, uma vez que todos os leitores aguardavam uma resposta sobre o nível de evidências, sendo apenas colocadas ironias que somente revelam a (baixíssima ou inexistente) frequência com que “pensa” sobre o assunto. Então, depois que supostamente evoluímos de um ancestral comum ao bonobo ou chipanzé, nossa primeira preocupação foi equiparação salarial (renda, naqueles termos) e acesso a plano de saúde? Ora! Por que inventamos esses problemas quando poderíamos simplesmente ter seguido a tranquilidade dos orangotangos? Lógico que não seria justo responder na mesma moeda, trazendo mais perguntas e evitando o diálogo. Então, primeiramente, cumpre entender o “pensamento” do astrofísico em questão. Dissecando suas colocações, percebe-se com enorme facilidade que seu ponto de vista a respeito da fé somente admite Deus quando há conveniência, donde os devotos seriam privilegiados. Dentro da lógica proposta pelo academicista, caso todos os devotos vivessem mais depois de equiparada a renda e acesso a plano de saúde, maior parcela do mundo seria devota, sobrando apenas poucos outros que teriam pressa em morrer, quando poderiam ser consideradas, quem sabe, suicidas ou partidárias da eutanásia, uma vez que bastaria a devoção para viverem mais. Tenho certeza que nem mesmo o gibão, sabendo que esticaria um pouco mais sua vida, negaria ser devoto. Pena que ele foi para um lado mais animal e irracional no processo evolutivo.
Sensibilidade não é uma característica desse astrofísico, mesmo vivendo num planeta donde quase metade, aproximadamente quatro bilhões de pessoas, praticam uma das três religiões abraâmicas.
4. Imagine que alguém perguntasse qual seria o nível de academicismo necessário para surgir um outro Einstein, porém, recebendo como resposta algo como “que tal se, numa prova objetiva, somente aqueles que acertassem o máximo de questões poderiam ser classificados para receberem o conhecimento necessário para isso”. Talvez o único ponto de nexo entre a pergunta e a resposta esteja numa ideia prévia, donde nem faz sentido a questão, muito menos a solução oferecida (neste exemplo sendo até óbvia, mas não satisfatória), posto que Einstein nem era tão academicista assim; nem uma bateria de exames conseguiria selecionar um candidato indubitável para imitar na totalidade uma pessoa nos mínimos aspectos que ensejariam seu caráter e inclinações pessoais. Caberiam avaliações subjetivas que medissem também o machismo, deslealdade conjugal ou mesmo a ausência de ética, dignas de um aclamado gênio da física. Porém, Neil deGrasse Tyson dá pistas sobre sua crença: seleção natural. Acredita, como posto, que uma aeronave em queda poderia ser alguma escatologia, quando Deus definiria quem pode viver ou morrer, escolhendo apenas aquelas que fossem, pelo visto, religiosas, esquecendo que diante de tragédias assim, vemos o quanto de orações fazem, mesmo os descrentes com palavras soltas, porém verdadeiras, quando estão prestes a morrer. Rezam, mesmo sem saberem, sobretudo por aqueles que ficarão ainda no mundo com saudades dos que partiram. Sensibilidade não é uma característica desse astrofísico, mesmo vivendo num planeta donde quase metade, aproximadamente quatro bilhões de pessoas, praticam uma das três religiões abraâmicas. Lamentável a proporção de desconhecimento do referido divulgador científico.

5. Somente num curtíssimo trecho, Neil deGrasse Tyson torna patente seu completo desconhecimento a respeito de Nosso Senhor. Longe do intuito de se catequizar, deveria ao menos proceder com respeito ou apenas decoro, buscando minimamente as questões mais pertinentes sobre a vinda de Jesus Cristo se quisesse realmente abrir o diálogo. Porém, apenas deu razão àqueles que criticam seu comportamento narcisista e deveras arrogante, agora, desprovido de intelectualidade, conforme se percebe. Descendo ao nível, quando foi mesmo que aquele ancestral comum dos humanos e primatas decidiu se transformar em espécies diferentes? Parece que não foi num evento programado, certo? Muito menos será a vinda de Jesus Cristo. Poderíamos dizer tantos bilhões de anos para frente quanto fazem os cientistas para trás sobre o elo perdido, mas não estaria interessado o astrofísico na resposta, mas nas contrarrazões à provocação que colocou em parênteses sobre a Santa Igreja ter vinte séculos de existência sem aquele retorno esperado, esquecendo ele que nas liturgias, inclusive onde estão dois ou três em seu nome, Jesus Cristo sempre está presente. Se ele duvida? Bom, Neil deGrasse Tyson pode perguntar para ¼ da população do mundo sobre isso.

6. “Que tal se as pessoas rezassem pela paz e então todas as guerras no mundo cessassem permanentemente? E se coisas boas acontecessem exclusivamente com pessoas boas e coisas más exclusivamente com pessoas más? E se um terremoto atingisse Lisboa, em Portugal, no Dia de Todos os Santos, enquanto todos estivessem na Igreja, como ocorreu em 1755, e matasse apenas pessoas que não estão na Igreja, em vez de as dezenas de milhares que estão, como de fato aconteceu naquela manhã fatal”.
Ele não promoveria paz lhe sendo proposto não comer o fruto da árvore proibida, mesmo sabendo do banimento do Jardim do Éden, incluindo suas gerações.
7. Complicada a mentalidade dessa pessoa. Ele não promoveria paz lhe sendo proposto não comer o fruto da árvore proibida, mesmo sabendo do banimento do Jardim do Éden, incluindo suas gerações. Pergunta ao Neil deGrasse Tyson sobre a gratuidade das vacinas desenvolvidas com auxílio da ciência para todo o mundo diante da pandemia de 2019. Afinal, parece que egoísmo camuflado de contribuição inovadora, descoberta ou como queiram denominar é unânime entre os academicistas, promovendo lucros exorbitantes aos semideuses das indústrias farmacêuticas que jamais se interessarão sobre equiparação de renda ou acesso a plano de saúde, mazelas provocadas pelo decaimento humano, mas que são colocadas na “conta do Papa” através das utopias desse astrofísico politicamente correto. Adiante, parece que até mesmo o budismo ou hinduísmo não foram poupados pela virulência dos pensamentos disruptivos do Neil deGrasse Tyson, sobretudo por atribuir o bom ao bom e o mal ao mal diante da correspondência dármica e cármica. Buda e Bhramã parecem corpos estranhos ao divulgador científico, mas não para mais de um bilhão de pessoas no mundo, budistas e hinduístas, excluindo todos os adeptos de esoterismos e filosofias transcendentais que simpatizam com ou adotam tais conceitos, motivo pelo qual esse número pode aumentar. Será que ele anotou estes dados e equacionou o impacto daquilo que colocou como resposta em livro? Ousa-se dizer que foi aproximadamente, tendo muito otimismo, de um depois de zero vírgula outros zeros. Adiante, dever-se-ia ponderar mais ao trazer tragédias como sendo questão de maior ou menor crença. Seria justo dizer que milhares de judeus mereceram a morte nos campos de concentração nazistas? Que não acreditaram suficientemente em Deus para afastar o poderio eugenista de um ditador? Certeza: muitos dias sagrados no judaísmo foram interrompidos pela Schutzstaffel. Será que tal astrofísico consegue tirar o olho do telescópio para enxergar o próprio planeta onde habita sem necessitar de lentes, sobretudo daquelas que nitidamente distorcem seu juízo? Na sequência, seguindo sua lógica, Portugal no fatídico ano de 1755 também enfrentava perseguições de Marquês de Pombal aos católicos, sobretudo o clero, talvez desejando a morte do Secretário de Estado dos Negócios Interiores do Reino, padre Pedro Mota e Silva, falecido por complicações decorrentes do Terremoto de Lisboa naquela mesma época. Se Neil deGrasse Tyson desacredita a existência de Deus, também não acredita em demônios, motivo pelo qual trouxe um terrível exemplo para tratar da fé. Porém, depois da reconstrução da capital portuguesa às custas dos cristãos e alguns judeus do velho e novo mundo, séculos adiante, evento milagroso aconteceu em 1917 nas terras lusitanas, mas não deve ser relevante ao astrofísico. Somente uma pessoa com complexo de divindade trata essas questões como “ou tudo, ou nada”, binariamente como sistemas computacionais, abstrações da realidade.

8. No final da resposta, complementa dizendo “esses eventos [as indagações do astrofísico] provocariam sérias discussões (científicas) sobre a existência de Deus e como ele trata pessoas que o veneram versus que não”. Observe que ele fez questão de colocar entre parênteses o critério científico como atendimento de requisitos às discussões, como se cientistas de outrora, conforme colocado em Fé na Ciência dos Católicos, jamais tivessem buscado no método a compreensão sobre as criações de Deus, algo que esse astrofísico teme notadamente por aquilo que insiste colocar sobre a veneração e a relação entre escolhidos e desprezados, como se fossem amostras biológicas num laboratório qualquer.
Deixar de reconhecer o brilhantismo
de Isaac Newton por não acreditar na gravidade
não tornará um religioso mais crente em Deus.
9. Tolice, Neil deGrasse Tyson. Igualmente tolo também são aqueles que desconsideram a ciência em decorrência de um reacionarismo religioso. Deixar de reconhecer o brilhantismo de Isaac Newton por não acreditar na gravidade não tornará um religioso mais crente em Deus. Muito menos Nicolau Copérnico, cônego da Igreja Católica, abandonaria Deus por provar matematicamente, diferentemente de alguns clérigos da época, aquilo que restou denominado por heliocentrismo. Evidentemente que todas as colocações do astrofísico foram meros esforços hipotéticos ao encontro daquilo que poderia ser relevante à ciência por ele vislumbrada, mas que por desconhecer completamente os assuntos da fé, incorre contra a própria inteligência. Mesmo o bóson de Higgs poderia ser questionado se ardilosamente algumas projeções sorrateiras fossem colocadas para descreditar os experimentos no LHC - Large Hadron Collider, desde o método até mesmo os aparelhos de medições. Porém, observa-se mais cientistas preocupados em desacreditar Deus do que os católicos ou outros religiosos em refutar as experiências científicas por capricho. Nossa gente se beneficia muito, tanto da ciência, quanto da religião, compatíveis apesar da preferência segregacionista do astrofísico.
    Para referenciar esta postagem:
ROCHA, Pedro. Tolice, Neil deGrasse Tyson. Enquirídio. Maceió, 07 jan. 2022. Disponível em https://www.enquiridio.org/2022/01/tolice-neil-degrasse-tyson.html.

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