24.4.26

Sayão, Sayão... Não Saia Não!

Se Luiz Sayão, quem agora parece ter uma cadeira cativa no Inteligência Ltda, podcast do Rogério Vilela no YouTube, admitisse os livros de Macabeus, tratados por ele como textos apócrifos, sairia do protestantismo — mas não saia não, viu? Vejamos o que o então pastor batista disse agora.
A Mentira. Salvator Rosa.
1. Sayão diz que judeus não reconhecem como inspirados por Deus, por exemplo, livros como os de Macabeus, embora no Talmud ou Lei Oral (transcrita) existam menções que usam dos deuterocanônicos como suportes à doutrina no judaísmo, omitindo que tal exclusão do cânon judaico se relaciona com o início da Igreja.
2. Depois, afirma que não existem afirmações, nesses textos, quais sejam, os apócrifos, de serem trabalhos inspirados, como se na Bíblia Sagrada, sobretudo no Novo Testamento, houvesse algum indicativo escrito — vindo do além — sobre sua nítida legitimidade, como se a Igreja não tivesse tal nitidez para tanto.

3. A Igreja é justamente a legitimidade instituída por Nosso Senhor para sua obra, seja feita, falada ou escrita, como é o caso da Bíblia Sagrada, cujos 27 livros do Novo Testamento o Sayão admite, embora tenham sido assim postos canonicamente pelos sacerdotes católicos nos primeiros séculos.

4. Ou seja, para Sayão, como ele expõe no vídeo, tanto os quatro evangelistas, quanto os autores epistolares, deveriam ter relacionado mais exaustivamente os apócrifos (que só são considerados assim pelos protestantes), pois eles deveriam ter previsto que mil quinhentos anos após alguém poderia duvidar da instituição do próprio Salvador.
É a judaização da fé constantemente denunciada aqui no blog.
5. Contudo, Sayão deixa a coisa ainda pior, pois, conforme suas palavras, “[...] em 2ª Macabeus, você vai ver uma coisa curiosa, que tem a ver com a oração pelos mortos, coisa que não acontece no Novo Testamento, na tradição judaica, no Antigo Testamento.” (5:00-5:19). É a judaização da fé constantemente denunciada aqui no blog.

6. E a coisa segue assim: “Então, são alguns ensinos assim, ou pelo menos sugestões de ideias, que parecem uma contradição em relação ao outros textos bíblicos que a gente reconhece como inspirados.” (5:19-5:34). Parece alegar, deste jeito, que uma doutrina de dois mil anos foi forjada.

7. Ele diz: “[...] quando você lê o final de 2ª Macabeus, o livro termina dizendo o seguinte: ‘Olha, o que eu fiz aqui, foi o que foi possível'. Como a gente mistura água com vinho, o autor termina dizendo que foi o que ele pôde produzir, muito diferente de outros livros inspirados, que claramente diz: 'Olha, essa palavra ela é assim, diz o Senhor'.” (5:34-6-06).

8. O que é que está em 2ª Macabeus: “Se consegui deixá-la bem escrita e construída, isso é o que eu queria. Se saiu vulgar e medíocre, fiz o melhor que podia. É desagradável beber somente vinho ou somente água; porém, o vinho misturado com a água é agradável, é um prazer para o gosto.” (2 Mac 15, 38s) — mas por que fazer isso?

9. “Pois o mesmo acontece numa obra literária, em que o estilo variado é um prazer para o ouvido do leitor. E com isso termino.” (2 Mac 15, 38). Luís Alonso Schökel (1920-1998), na Bíblia do Peregrino, comenta que tal autor se sente satisfeito com seu trabalho ao intercalar cenas terríveis com agradáveis — como assim está no texto!

10. Mas o tal problema arranjado é que o final do texto não louva a Deus. Acontece que aquela trecho último da 2ª Macabeus é epílogo, que não diminui ou altera o término da história: “Todos levantaram os olhos ao céu, louvando o Senhor glorioso: — Bendito seja tu, que guardaste sem mancha teu lugar santo!” (15, 34).

11. Poder-se-ia estudar o motivo do epílogo se houver tal urgência, porém, depois de entender o conteúdo de 2ª Macabeus, difícil é tratá-lo como isento de inspiração — exceto aos protestantes, que por ele nutrem certo rancor, por haver ali episódios que atestam a intercessão dos mortos.

12. Detalhes sobre, ainda que sejam superficiais, podem ser vistos em O Mito de Jâmnia e Iconoclastas: Idólatras de si Mesmos. Seria mais fácil forjarem os católicos tal mentira do que os protestantes surgirem por interesses políticos há 500 anos? Se mentiram sobre os textos antigos, o que é possível inferir dos novos? Sayão, Sayão...
    Para referenciar esta postagem:
ROCHA, Pedro. Sayão, Sayão... Não Saia Não! Enquirídio. Maceió, 24 abr. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/04/sayao-sayao-nao-saia-nao.html.

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