21.4.26

A Confusão Maligna

O maligno é homicida (Jo 8, 44) e o objetivo de toda ação maligna é a morte eterna. O que é visto no corpo ou na mente do atormentado pela malignidade é a manifestação de um rompimento com a capacidade de se orientar à vontade de Deus, privando o homem da própria natureza, impedindo-o à santificação.
Menina que Confunde um Jovem Limpa-chaminés com o Diabo. Robert Salles.
1. Ou seja, quem se priva de algo, faz isso por vontade, mas se tal privação foi por imposição, significa que sua liberdade foi removida, motivo pelo qual, desse modo, não teria como se voltar para Deus, cuja vontade Ele demanda para que seja cumprida livremente ao invés de forma impositiva.

2. O que é maligno tende a matar, desde a carne até a alma, pelo que nem todo fenômeno está relacionado às questões malignas, que são preternaturais. Há muito no mundo natural que acaba sendo percebido por superstição e atribuído aos demônios, geralmente por ignorância ao invés do orgulho.

3. Orgulho no sentido de “eu fui lá enfrentar o capiroto”, corroborando exemplos sensacionalistas, quando ninguém — exceto Nosso Senhor e o poder do vosso santo nome, Jesus — poderia se orgulhar dessas coisas. Na verdade, aquele que combate o maligno, obtém vitória pela força de Deus, ao qual tudo se deve.

4. Se os fenômenos preternaturais são malignos, então resta saber que não têm malignidade os originalmente naturais ou sobrenaturais, donde aquele advém do poder deste, ou seja, relativos às criações e o Criador, respectivamente. Porém, questionamos se realmente há na natureza alguma vulnerabilidade ao maligno.

5. Há correntes teológicas, como as parapsicológicas, que não reconhecem fenômenos preternaturais, mas tão somente eventos naturais desconhecidos, onde tudo ou é da natureza original, como feita por Deus, ou d’Ele próprio, diretamente, excluindo-se, dessa forma, qualquer existência maligna.

6. Assim sendo, sobra às teses (para)psicológicas, entre outras, descrever o comportamento humano baseado ou na graça de Deus, ou na desgraça causada pela própria pessoa em relação ao meio, como se os casos de interferências malignas fossem deliberadamente inventados.

7. Infelizmente, muitos casos, como alguns relatados em podcasts no YouTube, terminam causando mais confusão ao invés de gerarem o conhecimento necessário para auxiliar o discernimento do espectador a respeito daquilo que pose ser considerado natural, preternatural e sobrenatural.

8. E o pior é a descrença gerada em aparente proveito de narrativas mais apropriadas para roteiros de filmes, donde se observa o natural como preternatural, e o sobrenatural como aquele, naturalmente advindo do homem. Contudo, para os dois casos, valem-se da ignorância alheia em proveito do orgulho pessoal.

9. Os fenômenos preternaturais não podem ser atrativos para curiosos ou expostos como anedotas. Os casos relativos precisam ser tratados com maior rigor. Assim como um médico tem obrigação de resguardar a intimidade do paciente, aqueles que lidam com essa realidade maligna devem proceder com prudência e discrição.

10. Afinal de contas, diante de tantos crimes hediondos, sobretudo contra crianças e idosos, além de furtos, roubos, adultérios e a própria mentira, que não informa e ainda gera o ruído para ocultar a verdade, como é que o maligno ainda é visto como uma mera peça de superstição ou incompreensão da realidade?

11. Ao mesmo tempo, os fenômenos preternaturais podem acontecer no intuito de minar as faculdades de um indivíduo, confundindo-o a depender do nível de suscetibilidade que ele possa ter. Às vezes não é por medo, mas por desejo de entrar em contato com tal realidade. Há quem desconheça o maligno e queira algo assim.

12. Mas se uma pessoa lembrar do Evangelho de Jesus Cristo conforme São João: “[...] Ele foi homicida desde o princípio [...]”, (8, 44), saberá que sua vontade é terminativa, ou seja, visa um assassínio, o que faz a partir da carne até tocar a alma. Portanto, acreditamos que tal malignidade não perde tempo com firulas e sempre parte para matar.
    Para referenciar esta postagem:
ROCHA, Pedro. A Confusão Maligna. Enquirídio. Maceió, 21 abr. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/04/a-confusao-maligna.html.

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