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| Passageiros no Metrô em Nova York. Francis Luis Mora. |
2. Dizemos isto pela influência da Globo ainda ser grande no Brasil, sobretudo por meio dos telejornais, apesar dos portais online, talvez por senso comum, serem percebidos como maior fonte disto, uma vez que todos agora acessam por celulares, exceto pela faixa-etária mais adepta dessa emissora ainda aderir à audiência pela televisão.
3. Existe uma espécie de hipnose de que os jornais nunca mentem — o que é “verdade” — imperando nesta faixa-etária, embora as narrativas sobre os fatos sejam tendenciosas: a) “hoje, um carro explodiu em Israel”; b) “Israel amanhece apavorada em meio ao conflito, que mantém contra o Irã, por causa da explosão em um veículo ainda não identificado”.
4. As apresentações são diferentes e indutivas, que põe expectadores à espera de maiores informações sobre um carro em Israel, supondo que poderia, por exemplo, ser de uma organização terrorista financiada pelos iranianos. Só de observarem essa conjectura como possível, as pessoas já começam a defender isto como fato.
5. Certa vez, uma aeronave estadunidense sem identificação estava voando pelo espaço aéreo brasileiro e pousando em aeroportos. Os jornais — que não mentem, certo? — começaram a noticiar verdadeiros devaneios como “Avião branco do governo dos EUA chega com ‘missão desconhecida’ ao Brasil”. As ideologias dos redatores são imediatamente decifradas quando tentam separar o estado do governo, como se as ações do presidente (desgostoso aos objetivos políticos daquela mídia) fossem alheias aos interesses da nação ou como se estivesse utilizando recursos estatais de maneira ilegítima, ainda assim desconsiderando o conhecimento das autoridades brasileiras a respeito do que se passava com tal voo. Depois, noutro portal, “Sem identificação, avião misterioso usado pela CIA pousa em Porto Alegre em missão não revelada pelos EUA”. As matérias, que deveriam informar, não passavam de enrolações ideologicamente recheadas, donde o efeito prático da notícia já ocorreu na própria manchete, influenciando as pessoas através de controvérsias projetadas, incluindo a veiculação de fotos de um modelo que foi usado para testar sensores e radares de caças como o Lockheed Martin F-35. Pesquisando a origem da questão, obtêm-se de logo um conteúdo em um site de aviação, donde os “jornalistas” subverteram tudo para gerarem iscas. No fim das contas, restou à Globo, como sempre, trazer a verdade em meio ao caos projetado por ela mesma e aliadas: “Avião misterioso dos EUA que pousou em Porto Alegre transportava diplomatas, diz a PF — Polícia Federal informou que fez o controle migratório e que os diplomatas foram para consulado na capital do Rio Grande do Sul”. 6. Ou seja, os “jornalistas”, ou se valem de ideias — criatividade pura — para criar iscas no intuito de atrair os leitores às matérias ideológicas que escrevem, ou procuram ser pioneiros na informação, ainda que não tenham confirmações (enquanto destilam ideologias), ou ideologicamente promovem operações psicológicas.
7. Segundo o ‘Manual de Campanha C 45-4”, edição de 1999 do Exército Brasileiro, operações psicológicas “É o conjunto de ações de qualquer natureza, destinadas a influir nas emoções, nas atitudes e nas opiniões de um grupo social, com a finalidade de obter comportamentos predeterminados.” (págs. 4-5).
8. Ainda segundo esse manual, “Tais ações variam desde as mais simples e aparentemente banais até as mais complexas [...].” (pág. 5), o que não é afirmar que aqueles “jornalistas” utilizaram estas diretrizes ou que os militares se envolveram no assunto, mas que são eventos que coincidem com frequência no Brasil.
9. Ao menos a Globo cria sua autoridade em meio às desinformações que ela mesma lançou, através do portal de assinantes, porém, culminando numa nova redação mais condizente com uma matéria jornalista sem aparentes enviesamentos, incluindo imagens precisas e infográficos para aqueles que consomem imagens ao invés de textos.
10. Noutros termos, vendo que não colou, remendou. Ou seja, às pessoas que não acompanharam o desenvolvimento dessa pauta ou ainda estão acreditando piamente que aquele era realmente um avião de espionagem, pouco importa a realidade, uma vez que incorporaram a mentira como sendo “verdade”.
11. Não querem nem saber sobre o responsável pela manchete, ao menos se as informações são equivalentes em outras mídias. Assim como fazem os “jornalistas”, os “leitores” só precisam que 1/3 dos dados ali dispostos corroborem seu pensamento para que usem tal matéria como base, fundação de algo infundado.
12. Assim é que o brasileiro tira o todo pela parte, aceitando imediatamente qualquer suposta informação, contanto que alinhada às próprias convicções. Sabendo disso, basta que sejam dadas meias verdades ou pequenas mentiras como incentivo à propagação midiática, incluindo sua ideologia — o que é semelhante às operações psicológicas. Para referenciar esta postagem: ROCHA, Pedro. Operações Psicológicas e a Mídia. Enquirídio. Cascais, 02 abr. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/04/operacoes-psicologicas-e-midia.html.
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