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| Os Iconoclastas. Jean Michel Ruyten. |
2. Zwingli diz que imagens podem induzir à idolatria, conforme seu “artigo 38”, mas não repudia seu uso, exceto se se tornarem objeto de superstição ou culto, donde se desdobram os problemas segundo e terceiro, donde deste parte justamente toda ação supersticiosa no catolicismo e daquele a debilidade teológica no protestantismo.
3. Pelo sola scriptura, inexistem ensinamentos sobre a intercessão dos santos, como disposto no “artigo 37”. Logo se vê em Zwingli a origem de imagens na Igreja em decorrência de algo ausente na Bíblia Sagrada, portanto, indigna de existir. Desta forma, de fato, eles ganharam e o cristianismo é integralmente “reformado” — só que não.
4. Já tratamos de O Mito de Jâmnia e a alegação de que os protestantes, acerca do Antigo Testamento, seguem um cânon judaico que não contemplou os textos deuterocanônicos, supostamente, enquanto endossam os 27 livros do Novo Testamento definidos justamente pela Igreja cuja tradição e Magistério tanto repudiam.
5. O que o Zwingli e a descendência protestante (incluindo os russitas, luteranos e calvinistas) não tem interesse de explicar é que a intercessão dos santos existe sim, mas que removeram do cânon que ousam chamar de Bíblia Sagrada, como se vê nitidamente no segundo livro de Macabeus, conforme transcrição no parágrafo seguinte:
- 2Mac 15, 12s: Eis a visão que teve: Parecia-lhe que Onias, sumo sacerdote, que tinha sido homem de bem e afável, de feito retraído mas de modos delicados, distinto no falar, desde menino exercitado nas virtudes, orava de mãos estendidas por todo o povo judaico; depois disso, apareceu-lhe outro varão respeitável pelos seus cabelos todos brancos e pela sua glória, de aspecto majestoso. Onias, apontando para ele, disse: Este é o amigo de seus irmãos e do povo de Israel, é Jeremias, profeta de Deus, que ora muito pelo povo e por toda a cidade santa. Depois Jeremias, estendendo sua mão direita, deu a Judas uma espada de outo, dizendo-lhe: Toma esta santa espada como um presente de Deus, com a qual deitarás por terra os teus inimigos.
7. “Ah, mas há padres, bispos e papas corruptos”, alegam, porém, ainda assim as portas do inferno não prevaleceram — jamais prevalecerão! Se os santos intercedem, as imagens os referenciam, somente. Contudo, há quem se veja colocando uma estatueta de Santo Antônio de cabeça para baixo ou em um copo d’água como simpatia para casar.
8. Neste ponto, Zwingli estaria certo se motivado pelo espírito de verdade, pois toda “devoção” que interage com imagens supersticiosamente, de um modo ou de outro, tendenciam à percepção talismânica do objeto, ainda que não saiba o sujeito o que é magia, altamente condenada, conforme disposto no Catecismo da Igreja Católica:
- 2117. Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. Tais práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas da intenção de fazer mal a outrem ou quando recorrem à intervenção dos demónios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele. O recurso às medicinas ditas tradicionais não legitima nem a invocação dos poderes malignos, nem a exploração da credulidade alheia.
10. Os humanistas, como Zwingli, ainda que tenham se inspirado em ideias de Erasmo de Roterdã (1466-1536), romperam com o catolicismo, inaugurando uma “versão cristã” de algo que está tão somente na mentalidade de homens limitados em próprias convicções, donde se obtém não uma “cristandade protestante”, mas, como se sabe, inúmeras!
11. Cada qual hoje pode abrir uma “igreja” ou casa de culto, incluindo suas lanchonetes e palcos negros, donde Jesus Cristo se torna plano de fundo para suas blasfêmias, como são vistas nos links mais abaixo. De resto, sobra entender que tal humanismo antropoteísta é o ápice da mente idólatra, que põe homens, ditos pastores, como deuses. 12. Eles imputam aos católicos a idolatria que praticam ao erigirem templos para seus deuses, revelados nos pastores, em um humanismo antropoteísta, que não difere das crenças dos povos antigos do Egito ou Suméria, baseadas em divindades autoproclamadas à destruição de oponentes, incluindo suas estátuas, pelo visto. Para referenciar esta postagem: ROCHA, Pedro. Iconoclastas: Idólatras de si Mesmos. Enquirídio. Maceió, 22 mar. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/03/iconoclastas-idolatras-de-si-mesmos.html.
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