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| Discussão Talmúdica. Boris Dubrov. |
2. “Tito” é Tito Augusto (39-81), responsável por acabar com revoltas judaicas em Jerusalém, culminando na destruição do Segundo Templo. “Balaão” é Balaão mesmo (redundância necessária), figura da Torah (Números), quem pôs Israel em rota de pecado através de prostituição e idolatria, como se vê em Apocalipse 2, 14.
3. Ambos foram contra Israel, sendo personagens importantes e específicos numa perspectiva antijudaica. “Yeshu” (ou “Jesus”, já traduzido), sequer citado em certas edições do Talmud (censuradas ou evitadas), representaria indivíduos que desviassem o povo judeu da fé. Mas deixe que sejam os judeus a explicarem no Sanhedrin:
- 43a:20. A mishna ensina que um chorador sai diante do homem condenado. Isso indica que é somente diante dele, ou seja, enquanto ele está sendo conduzido à sua execução, que sim, o chorador sai, mas desde o início, antes que o acusado seja condenado, ele não sai. A Gemara levanta uma dificuldade: mas não é ensinado em uma baraita: Na Páscoa, eles penduraram o cadáver de Jesus, o Nazareno, depois que o mataram por meio de apedrejamento. E um clamor saiu diante dele por quarenta dias, proclamando publicamente: Jesus, o Nazareno, está saindo para ser apedrejado porque ele praticou feitiçaria, incitou as pessoas à adoração de ídolos e desviou o povo judeu. Qualquer um que saiba de uma razão para absolvê-lo deve se apresentar e ensiná-lo em seu nome. E o tribunal não encontrou uma razão para absolvê-lo, e assim eles o apedrejaram e penduraram seu cadáver na véspera da Páscoa.
43a:21. Ulla disse: E como você pode entender essa prova? Será que, foi digno de realizar uma busca por uma razão para absolvê-lo? Ele era um incitador para a adoração de ídolos, e o Misericordioso afirma com relação a um incitador à adoração de ídolos: “Nem vocês pouparão, nem o ocultarás” (Deuteronômio 13:9). Em vez disso, Jesus era diferente, pois ele tinha laços estreitos com o governo, e as autoridades gentias estavam interessadas em sua absolvição. Consequentemente, o tribunal deu-lhe todas as oportunidades para se limpar, de modo que não se poderia alegar que ele foi falsamente condenado.
43a:22. Sobre o julgamento de Jesus, a Gemara cita outra baraita, onde os Sábios ensinavam: Jesus, o Nazareno, tinha cinco discípulos: Mattai, Nakai, Netzer, Buni e Toda. Trouxeram o Mattai para ser julgado. Mattai disse aos juízes: Mattai será executado? Mas não está escrito: “Quando [Mattai] eu virei e aparecer diante de Deus?” (Salmos 42:3). Mattai afirmou que este versículo alude ao fato de que ele é justo. Responderam-lhe: Sim, Mattai será executado, como está escrito: “Quando [Mattai] morrer, e o seu nome perecer?” (Salmos 41:6).
5. Onkelos, conforme o Gittin 57a, apresenta três maneiras distintas de se certificar a respeito da própria conversão ao judaísmo, evidenciando “ensinamentos”, cada qual com seu teor para exaltação do povo judeu ao passo que revela os modos de penas sofridas ao ir contra essa gente, como está transcrito em Narcisismo Talmúdico?
6. Assim sendo, Onkelos, como está no Gittin 57a, se valeu de Tito, Balaão e Jesus, personagens conhecidos, tanto para trazer elementos que evidenciem sua conversão, quanto para realçar sua adesão àquela religião — o que é intrigante. Não faz sentido ele ter especificado dois desses, porém, generalizando um só.
7. Já no Sanhedrin 43a, consoante os parágrafos acima copiados, não existe mais espaço para dúvida, pois o texto indica tanto a pessoa, como o tempo, além de características essencialmente ligadas a Jesus Cristo, restando aos talmudistas tão somente o empenho de tentarem desvincular tal personagem daquele que consta no Gittin 57a.
8. Em suma, Jesus foi morto — o que é fato. Não foi por apedrejamento, como está no Talmud. Ele fez milagres, curando muitas pessoas, mas tal prática foi tratada pelos judeus como mera feitiçaria, sendo assim repercutida da tradição oral até sua transcrição, finalizada, supostamente, no ano de 550.
9. Quer dizer que Jesus fez coisas que aos judeus só Deus ou os demônios poderiam realizar, assim como, para o povo judeu, significou idolatria as pessoas O adorarem pelos prodígios e milagres, embora falseados no Talmud, pois não havia mais razão, diante do Messias, continuar seguindo os fariseus — sendo isto posto em texto como desvio.
10. Além de todas essas condições, retrataram como causa da morte de Jesus um “apedrejamento” realizado no tempo da Páscoa, marcando um momento indubitável na história, narrada não apenas no Talmud, como em textos para além dele ou mesmo do Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João.
11. Pelos “Anais” de Tácito (56-117), Nero (37-68) culpava os já odiados cristãos pelo incêndio da cidade de Roma, explicando: “O autor deste seu nome foi Cristo, que, no governo de Tibério, foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos.” (pág. 392 das Edições Colibri, publicada em novembro do ano de 2022 em Lisboa).
12. Flávio Josefo (37-100), em “História dos Hebreus”, admite Jesus como sendo Cristo, porém, “Os mais ilustres dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este o ordenou que o crucificassem.” (pág. 1185 da versão do Kindle). Ele foi apedrejado sim, mas sua morte foi por outra causa, como todos sabem.
13. Então, esse trecho do texto, qual seja, “[...] e assim eles o apedrejaram e penduraram seu cadáver na véspera da Páscoa”, conforme parágrafo 20 do capítulo 43a do Sanhedrin, falsifica um contexto descrito de maneira diferente ao menos em outra fonte para além do Talmud ou mesmo do Evangelho, como foi visto.
14. Como o tempo da Páscoa foi referido neste trecho do Sanhedrin, o que é realmente importante identificar, deixemos para observar mais descrições sobre Jesus no Talmud em artigos que devem ser publicados no Enquirídio. Convém, entretanto, destacar que aos talmudistas, Ele era próximo do governo. Qual a razão disto?
15. Jesus não tinha cometido crime algum, certo? Ao menos não contra o Império Romano. Apenas aos judeus Ele teria que pagar por práticas que imputaram como blasfemas — mas isto nós sabemos com bastante clareza, enquanto os talmudistas procuram nas entrelinhas da tradição oral transcrita uma maneira de se legitimarem.
16. Por fim, tornaram tão evidentes a perseguição aos cristãos que, conforme o parágrafo 22 do capítulo 43a do Sanhedrin, os talmudistas identificaram os seguidores de Jesus no intuito de matarem eles também, revelando uma sanguinolência que não estranhamente já havia sido exposta pela próprio Deus na Torah.
17. Vamos lá: “Mattai” é São Mateus (aprox. “presente de Deus”); “Nakai” é São Lucas (aprox. “que traz luz”), “Netzer” é Santo André (aprox. “relativo ao homem”), “Buni” é São João (aprox. “abençoado”), e; “Toda” é São Tadeu (aprox. “coração corajoso”). Os significados hebreus às línguas latinas procuram se aproximar do originário.
18. Ou seja, se Jesus tinha cinco discípulos, consoante o parágrafo 22 do capítulo 43a do Sanhedrin, que por vez relacionam os justamente os Apóstolos, concluir que tal pessoa, tantas vezes citada no Talmud com características tão determinadas, seria um “Jesus” ou “Yeshu” genérico, parecerá tão somente falsidade intelectual.
19. Não tem como “Jesus, o Nazareno”, como visto, ser uma pessoa diversa, genérica, como dizem os judeus, aqueles que insistem em ocultar sua própria história. Portanto, “Yeshu” é “Jesus” e o Talmud revela um tratamento a Ele que é desrespeitoso, embora os judeus sempre cobrem um respeito que não dão, como se vê em Suquinho Sionista. Para referenciar esta postagem: ROCHA, Pedro. Jesus Cristo no Talmud. Enquirídio. Maceió, 06 mar. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/03/jesus-cristo-no-talmud.html.
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