25.4.26

Fumaça de Satanás III

Voltamos à esta série para abordar as vontades trazidas em Fumaça de Satanás II, relativas às aptidões para descobrir, participar e contemplar, próprias tanto à ciência, quanto à Igreja, mas que, conforme São Paulo VI, acabaram ofuscadas e passaram de soluções à problemas na atualidade.
1. Falaremos como isso se vê na fé. Nosso Senhor disse: “Porque nada há oculto que não acabe por ser manifestado, nem escondido que não deva saber-se e tornar-se público.” (Lc 8, 17). Essa “fumaça de Satanás”, lembrando da relação com a “Homilia de Paulo VI”, interfere na descoberta, participação e contemplação por ocultação.
2. Oculta-se, de início, os reais motivos para que seja destacada a aparente intenção evangélica, porém, em um momento posterior, fechando-se somente para iniciados, que por sua vez, entrando numa pseudo hierarquia laical, realizam seus objetivos em paralelo ao plano geral da Igreja, podendo desta concordar ou discordar — nunca se sabe.

3. Aliás, sabe-se, porém, tornando-se secreto automaticamente, uma vez que indivíduos, participantes dessa trama, encontram-se tendenciados ao isolamento, muitas vezes em relacionamentos interfamiliares limitados, isentados da participação universal. Isto ocorre no âmbito da fé, donde se vê como essa “fumaça de Satanás”.

4. Na ciência, assim como na educação, fenômeno parecido acontece. Enquanto na fé os prejuízos se notam na evangelização paralelizada, com uma possível parcela desse empenho convencionado entre participantes, os cientistas e professores cada vez mais têm proposto resultados que são convenções que não refletem à realidade necessária.

5. Quando São Paulo VI disse “A escola se torna um campo de treinamento para confusões e, às vezes, contradições absurdas”, observa o modus operandi dessa “fumaça de Satanás”, que vem corrompendo o que é verdadeiro, dizendo ainda que “Esse estado de incerteza também reina na Igreja” — extremamente prejudicial.

6. Neste ponto, as igrejas podem se tornar locais insalubres às pessoas de fé se os trabalhos pastorais se valerem de paralelismos destoantes da Igreja, assim como todos os ambientes que deveriam abordar a verdade, mas que subvertem os meios de praticar o que é científico, gerando prejuízos que atingem as pessoas de um modo geral.

7. Assim sendo, há um afastamento da descoberta, participação e contemplação que são igualmente necessárias, enquanto aptidões, tanto para fé, quanto para ciência, fazendo delas meras questões estéticas, donde a convenção é ponto de maior relevância em detrimento da verdade.

8. Se ao Evangelho é essencial à experiência da fé que se descubra, participe e contemple, como minar isto para diminuí-la? Ou desviá-la para que não seja integralmente vivenciada? Isto é o sinal da “fumaça de Satanás”, responsável por minar e/ou evitar enquanto parodia a verdade revelada sob pretextos uniformes.

9. Pretextos uniformes que são observados muitas vezes pelas imposições que condicionam a experiência da fé às exigências temerárias, que não confiam no poder de Deus para fazer suas obras nas almas que por Ele são inclinadas, pedindo provas públicas de dignidade à salvação — o que é reservado à Jesus Cristo, apenas.

10. Por tais pretextos uniformes há quem se veja desamparado pelo isolamento da verdadeira experiência de fé, muitas vezes ditadas por terríveis diretores que já não descobrem, participam e contemplam, mas que, ao invés disso, convencionam o que é ideal para todo aquele que a ele busca filiação, ainda que sem saber sobre sua visão.

11. Há na Igreja alguns redutos que já dão muitos sinais dessa “fumaça de Satanás”. Não que sejam assim, mas que foram transformadas pela vontade do homem que se viu na incumbência de Nosso Senhor, como se fosse um tipo de “procurador especial” de Deus para além ou paralelamente ao papa.

12. Amém Jesus Cristo por dizer: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.” (Mt 24, 35), “Porque nada há oculto que não acabe por ser manifestado, nem escondido que não deva saber-se e tornar-se público.” (Lc 8, 17). No tempo certo os inimigos da fé deverão ser revelados, mas que seja por Ele, para cada qual.
    Para referenciar esta postagem:
ROCHA, Pedro. Fumaça de Satanás III. Enquirídio. Maceió, 25 abr. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2025/09/fumaca-de-satanas-iii.html.
Pedro Rocha é católico, casado desde 2014 com Larissa Rocha – temos dois filhos na terra e um(a) com Papai do Céu. Tem por Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) especial admiração, bem como por Dom Henrique Soares. Devoto por São Tomás de Aquino. Aluno de Padre Paulo Ricardo. Bacharel em Direito e Design, cursa nas áreas de Semiótica, Gestalt, Behaviorismo e Simbologia. Mantém particular interesse sobre gêneses e declínios civilizatórios na antiguidade e reflexos na modernidade.
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