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| Antonin-Dalmace Sertillanges. Autor Desconhecido. |
2. O que é ser intelectual, para este autor, acaba sendo consequência de um conjunto de princípios básicos, mas que hodiernamente os intelectualistas têm menosprezado. Falam tanto de quão urgente é investir na própria intelectualidade, porém, sequer apreciando o essencial colocado neste pequeno tratado, chamado “A Vida Intelectual”.
3. Se os intelectualistas de agora se importassem com o que afirmam se importar, prestariam mais atenção nisto daqui: “É de se supor que você ingresse na vida intelectual com objetivos desinteressados, ou seja, não por ambição ou afetação estúpida” — o que é praticamente um mandamento para uma vida voltada à verdade.
4. Afinal de contas, “Querer submeter a verdade à sua própria pessoa é um orgulho insuportável e resulta em estupidez”, pois “A verdade é essencialmente impessoal”. Infelizmente, em um mundo de ideias hedonistas, incluindo seus indivíduos suscetíveis às patologias da tríade negra, Sertillanges termina sendo rejeitado.
5. “Um homem inteligente encontra inteligência em todos os lugares; um idiota proteja em todas as paredes a sombra de sua fronte estreita e inerte” — lembrando que já foi explicado no Enquirídio através da Projeção de Si em Coisa Alheia, evidentemente com uma exploração mais sumária de conceitos que são realmente profundos.
6. Sertillanges é preciso ao abordar esses assuntos todos, motivo pelo qual “A Vida Intelectual”, para quem realmente deseja alcançar sabedoria, torna-se manual de leitura regular, sobretudo para não cair nas incontáveis explorações de um intelectualismo de mercado repleto de pessoas cujas ações “intelectuais” desafiam o conceito de intelecto.
7. Isto, por si só, não deve representar qualquer ofensiva contra aqueles que ofendem pelo simples fato de se posicionarem como os donos da verdade, mas que, conforme observado, acabam fazendo um papel inútil, tornando o acesso à intelectualidade numa conturbada experiência de incertezas e desistências.
8. É que o “[...] inútil, que encontra seu lugar no caos, não terá espaço onde houver organização”, motivo pelo qual quem gosta de ruído se afasta da oração, daquilo que tem virtude, da disciplina cotidiana, pois seu reino se dá na desordem, na confusão, no diabólico, destruindo as pontes que ligam a mente à sabedoria.
9. Portanto, eis o que importa: realizar a leitura do tratado de Sertillanges e observar as lições sobre como não ser igual ao que os intelectualistas atribuem como intelectuais, pois quanto mais gente desse jeito repercute suas verdades isoladas, pior será retornar ao que de fato se compreende como intelectualidade. Para referenciar esta postagem: ROCHA, Pedro. “A Vida Intelectual”, de Sertillanges. Enquirídio. Maceió, 12 jan. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/01/a-vida-intelectual-de-sertillanges.html.
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