15.2.26

Maquiavel Terapêutico

Em “Mentes Maquiavélicas”, como consta nas páginas 242-243, Tamás Bereczkei, doutor em ciências em psicologia, apresenta uma síntese precisa acerca do comportamento (que ele faz analogia ao algoritmo) maquiavélico: “selecione um ingênuo e, desse modo, ajuste suas decisões ao seu comportamento”.
Pinel, Médico-chefe de La Salpêtrière, Libertando os Doentes Mentais de Suas Correntes. Tony Robert-Fleury.
1. Na sequência, Bereczkei explica o seguinte: “[...] um estudo recente descobriu que estas pessoas dispõem de alta vulnerabilidade à manipulação social, além de traços de personalidade tais como baixa extroversão, neurose alta e alta afabilidade.” (pág. 243) — e o que nos interessa é a palavra que encaixa neste tempo, qual seja, neurose.

2. Noutros termos, pessoas ingênuas, que podem ser tímidas, mas com condições emocionais de sofrimento, ansiedade, condutas repetitivas, embora sejam gentis, educadas, tornam-se os alvos ideais para os maquiavélicos. Verdade que ninguém deseja ser esse tolo aí da descrição, mas que tal não é uma questão de escolha.

3. Não acreditamos ser necessário retratar as ovelhas que pastam nos currais das mídias sociais, muito menos imitar como eles berram em stories para serem ouvidas. Contudo, talvez revelar o que é feito em pastos por esses tantos maquiavélicos sirva de alerta, apesar de muitos acharem lindos esses lobos sob peles de cordeiros.

4. Imagine que seu dia vai muito bem — obrigado — até que alguém lhe diz ser preciso fazer alguma coisa, que por sinal vai sempre te levando a assumir condições emocionais que não existiam até ali, naquele momento, enquanto te empurra alguma “solução” rápida, voltada a resolver um problema que ela criou para você (ou alguém que conheça).

5. Convencido, você (ou essa outra pessoa), por uma das rápidas ofertas, como é o caso do “aumento de renda”, inicia um curso de pouco tempo, vendido como sendo alguma certificação (fenomenologicamente orientada às terapias para resolver vidas conjugais), mas que no fim das contas tende a gerar terapeutas quase exclusivos de mulheres.

6. Poderíamos supor que todos aqueles que acabaram sendo convencidos por uma dessas rápidas ofertas são ingênuos, neuróticos e afáveis? Uns são sim, mas outros já veem nisso certa oportunidade de crescer em cima de tantos outros que estão atrelados por tal contexto (necessidade de assistência terapêutica).

7. De um modo ou de outro, o que é importante perceber é a adequação dessas pessoas, convencidas a realizarem essa certificação, ao comportamento de um maquiavélico em potencial aparente, que não oferece outra coisa além dele mesmo como modelo replicável, incluindo todo estereótipo, desde as roupas até hábitos.

8. Os maquiavélicos, conforme Bereczkei, entendem “[...] as emoções dos outros, além de controlar seus próprios sentimentos em um nível alto; todavia, eles empregam essas habilidades essencialmente para servir aos seus próprios interesses.” (pág. 169). Importa menos saber qual seria esse interesse ao invés de como de fato ele faz isso.

9. Em suma, interesse é dinheiro ou poder sobre os outros, mas como ele faz isso, ou seja, de um maquiavélico conseguir convencer, Bereczkei aponta a criação de “estados mentais” em alvos, dada pela “indução da culpa”, manipulando “[...] aqueles que julgam estarem predispostos a cooperar e que se preocupam com os outros.” (pág. 199).

10. Se algo pode conceder “aumento de renda”, mas que não corresponde à profissão já desempenhada pelo indivíduo convencido por aquela “solução” rápida (talvez advocacia ou psicologia, quem sabe), então este texto tenta provocar uma sensação imediata de incapacidade, como se algo mais prático concedesse melhores resultados financeiros.

11. Alguém pode tirar algum proveito disso sem que emule estereótipos maquiavélicos? Evidentemente que sim, mas não são exatamente esses indivíduos os alvos do processo, que até podem adquirir cursos, formações, certificações como benchmark, sem que pratique a metodologia proposta — não sendo ela totalmente marketing, evidentemente.

12. O que é notório, como dito antes, termina sendo aquela predileção (para não dizer instruções) de “terapeutas”, na conclusão dessa certificação, em se relacionar com mulheres que professam fé católica, sendo muitas delas casadas, conforme certa ética particular, que não parece outra coisa além da própria cartilha de cunho moral.

13. Afinal de contas, em um país de mulheres solteiras e divorciadas, mas que buscam na fé um propósito para suas vidas, especialmente aquelas que recentemente “se” (re)encontraram no catolicismo (ao certo esse encontro deve ser com Jesus Cristo), todo esse âmbito se torna em um amplo contexto de alvos às ações de maquiavélicos.

14. Então, por que elas não procuram um(a) psicólogo(a) ao invés de “terapeutas” certificados que podem ser maquiavélicos? Um critério preciso recai ao cunho moral, de se supor que quem fará essa terapia possui os mesmos valores de fé, católicos, sobretudo por aversão aos vieses anticristãos da psicologia ideológica.
As pessoas não desejam demonstras como agem em vida pelas regras de fé estando diante daqueles que sequer acreditem na existência de Deus — claro!
15. Em Equeva Réplica aos Temperamentos, ao menos um exemplo foi mostrado no início do artigo, de como se dá essa aversão, embora o assunto trate de outra questão. As pessoas não desejam demonstras como agem em vida pelas regras de fé estando diante daqueles que sequer acreditem na existência de Deus — claro!

16. Contudo, existem mulheres que revelam aos “terapeutas” certificados os adultérios que cometem contra seus maridos, recebendo deles uma certa orientação no seguinte sentido: “confesse esse pecado ao padre, mas não conte ao marido o que fez”. Coisas assim, que não são tão piores quanto certos diagnósticos baseados em achismos.

17. Bereczkei não direciona o assunto a qualquer certificação, muito menos ao universo de “terapeutas”, embora dê mostras, através de estudos apontados, de como se identificam os maquiavélicos, dentro da Tríade Negra, que por sua vez também relaciona narcisistas e psicopatas, sobretudo pela diferenciação entre todos esses.

18. Não à toa, Bereczkei subintitula seu trabalho por “psicologia da manipulação”, que são essas “Mentes Maquiavélicas”. Manipular é o objetivo, inclusive fingindo altruísmo: “[maquiavélicos] adaptam-se aos desafios em constante alteração proveniente de seus meios sociais ao mudar continuamente seus comportamentos.” (pág. 210).

19. Por fim, objetivam produzir uma boa impressão se dispostos em grupo — como para mídias sociais. Um sinal disto pode ser visto nas mudanças de narrativas, de estereótipo ou somente no marketing empregado. Ao certo, se algo aqui exposto fez sentido para você, vale a pena buscar mais sobre isso, enquanto não publicamos mais informações.
    Para referenciar esta postagem:
ROCHA, Pedro. Maquiavel Terapêutico. Enquirídio. Maceió, 15 fev. 2026. Disponível em https://www.enquiridio.org/2026/02/maquiavel-terapeutico.html.

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