27.8.21

Harry Potter e a Companhia de Jesus

Harry Potter, sendo um best-seller de sucesso e literariamente um fenômeno, recebe periodicamente algumas críticas, dentre elas, incentivo à rejeição do cristianismo para adoção do paganismo. Ponto de muita análise, porém, existe uma semelhança entre as ideias de J. K. Rolling, autora da estória, e o método Jesuíta.
Bem-vindo a Hogwarts
Christopher Clark. Bem-vindo a Hogwarts.
1. De onde as críticas ao Harry Potter, enquanto obra literária, estão surgindo? Infelizmente, até dos renomados sacerdotes da Santa Igreja surgem anedotas que pouco ou nada convencem, embora seja compreensível o excesso de precaução, uma vez que buscam apenas instruir ao caminho da santificação. Também existem centros da nossa gente que disseminam conteúdos contra o mencionado livro de fantasia, sendo abusivos ao tentarem correlacionar os pontos negativos do enredo aos produtos que vendem como soluções, fazendo uma espécie de marketing indireto – não deu certo e alguém conseguiu perceber tudo isso, mas tudo bem.

2. Apenas para ilustrar uma das críticas lançadas, num dos sites dos sacerdotes católicos, evidentemente, existe uma suposta história de conversão, onde a pessoa teria abandonado a Santa Igreja por influência daquilo que tem por semelhança com a obra. Isto deve ficar claro: a preocupação é sobre coisas correlatas ao livro; não dos textos deste. Continuando, explicava essa página online que uma jovem se voltou aos conhecimentos ocultistas por uma série de contextos que lhe permearam enquanto jovem: visitação em várias igrejas protestantes; divórcio dos pais e subsequente afastamento de Deus; inclinação ao estudo da astrologia; fascínio pela hipnose; experiências com aquilo que chamava de bruxaria; relacionamento amoroso com pessoas homoafetivas; tendências ao ocultismo; envolvimento com movimentos New Age etc. Harry Potter só passou a existir para essa pessoa por sua filha já maior de idade ter iniciado sua leitura.

3. Infelizmente os nossos irmãos protestantes são demasiadamente libertinos e tendem a prática de rituais interculturais, quando, entre os (neo)pentecostais, pregações mais parecem caricaturas de palestras espíritas ou mesmo celebrações de candomblé. Além disso, existe a questão da sola scriptura dentre outras questões problemáticas que demandam postagens específicas, mas que são bem conhecidas, explicadas e combatidas, sobretudo através dos tremendos esforços dos sacerdotes que, por ora, são criticados – hipocrisia? Certamente não, uma vez que estamos abordando questões diferentes, embora pareçam as mesmas, sendo certo que não existe aquele que detenha a totalidade da razão, motivo pelo qual criticar é a justa forma de mostrar insatisfação por algo que possa ser parcialmente equívoco.

4. Dando continuidade às colocações, qualquer jovem que experiencie uma separação, sobretudo dos próprios pais, mesmo que amistosamente, adquire um trauma ao notar o esfacelamento da família, abrindo precedentes para relativizações e questionamentos sobre sua validade. Disto a busca se volta ao materialismo, sobretudo pela necessidade de controle ou respostas mais concretas, decorrentes do nítido afastamento das coisas divinas.

5. Além disso, shows de mágica, embora sejam agradáveis ao imaginário, quando acompanhados de narrativas, qualquer ilusão de ótica se torna, também, mental, sendo interessante ao conhecimento para conclusões pessoais aquilo que consta na edição de 1958 de O Hipnotismo de Karl Weissmann.
Certeza que permeia o imaginário de muita gente ideias como grimórios volumosos, poções encantadas, palavras de feitiços etc. Verdade seja dita: nada disso o é.
6. Adiante, bruxaria é o conceito mais distorcido já enunciado. Inúmeras práticas são consideradas dignas de bruxas, embora umas sejam, mas não outras. Certeza que permeia o imaginário de muita gente ideias como grimórios volumosos, poções encantadas, palavras de feitiços etc. Verdade seja dita: nada disso o é. Bruxaria é muito mais simples e perigoso! Isto é dito especialmente por alguém que conhece a operação dos rituais de perto. No paganismo, existe uma crença de poder, domínio sobre as coisas, interferência no plano sutil. Para quem adota o paganismo como conceito religioso, Deus deixa de existir, dando espaço para a emanação cósmica ou mesmo uma força terrena, onde qualquer ocorrência não passa de mera questão de vontade própria coadunada com tais sutilezas do famigerado plano astral. Assim sendo, dentre as maiores bruxarias, remover o homem do caminho de Deus é a pior delas. Todas demais são acessórias ao objetivo final. Porém, aspirantes a isto simplesmente não acreditam que estejam se envolvendo com coisas que podem se arrepender ou se prejudicar por manterem suas convicções egocêntricas nesta senda. Contudo, idealizar a bruxaria é simetricamente proporcional entre pagãos e cristãos, onde estes confundem bruxas com curandeiras (senhorinhas que cantam enquanto administram chás de ervas aos enfermos – boldo aos desarranjados seria prática digna de fogueira) e aqueles pensam dominar a sutilidade da existência como propriedades comuns. Ao certo, discorrer sobre este assunto demanda mais do que uma postagem e demasiado empenho à justa informação.

7. No suposto relato a pessoa em questão teria mantido um relacionamento com alguém que preferiu ter relações homoafetivas (valendo explicar que esta tinha sido alvo das peripécias, narradas como atos de bruxaria, justamente pela própria pessoa que expôs tal relatório), sendo termo para outra ruptura traumática e consequente adiamento da formação familiar. Poderia tal circunstância ter relação com feitiços, magias, encantamentos como de fato os são ou realmente outras influências foram mais eficazes ao desfecho desta relação? Pode-se pensar que sim, mas não nos atenhamos aos detalhes, uma vez que Deus, desta relação, também foi expulso.

8. Um ponto de bastante atenção é a respeito do ocultismo propriamente dito. Pensar que não existem coisas ocultas é realmente apostar na inocência infantil, que sim, precisa ser preservada! Porém, crescemos e infelizmente alguns altores surgem: Papus, Éliphas Lévi, Aleister Crowley, Helena Blavatsky, William Walker & Edson Bini, Dion Fortune, Fernando Pessoa, Henrique Cornelio Agrippa de Nesttesheim, Marc Haven, Francis Barrett etc. Todos desta breve lista podem ser amplamente consultados por editoras brasileiras como Madras, Vozes, Pensamento dentre tantas. Contudo, questione-se primeiramente: qual o propósito do contato com tais referências? Quando alguém recorre ao oculto, tende ao isolamento, fechando-se em concepções que semioticamente não fazem parte das convenções predominantes. Significa que são más? Se te extraviam de Deus, certamente. Porém, alguns conhecimentos são dignos de maneira racional. No Caibalion, existe um princípio de correspondência, onde aquilo que está acima é igual àquilo que está abaixo. Lógico: existe uma tendência natural do cristão de pensar em termos teológicos, sobretudo no céu e inferno. Talvez até mesmo na blasfêmia de Satanás corresponder a Cristo, uma vez que poderia interpretar que são iguais aquele que reina de cima e o outro que aterroriza de baixo. Porém, esquecem das correspondências menos sutis, onde o macro, sistemas solares, assemelha-se ao micro, partículas atômicas. Porém, precisa estar muito sólido em crença para chegar ao discernimento demonstrado, motivo pelo qual definitivamente melhores compreensões podem ser atingidas através dos santos, ainda mais quando ocultistas como Helena Blavatsky, revolucionária, tentavam contra a Santa Igreja e o Papa. Sobre questões assim, valeria consultar a volumosa contribuição de Lee Peen em Falsa Aurora. Além disso, muitas correlações existem entre ocultistas e sociedades atualmente autodenominadas discretas. Neste tocante, resta recomendado a Declaração Sobre as Associações Maçônicas da Congregação para a Doutrina da Fé.

9. Finalizando a abordagem a respeito dos problemas elencados pela pessoa que relatou sua preocupação pelas obras de J. K. Rolling no site de um sacerdote católico, passemos ao mais importante assunto: movimento New Age. Muitos, principalmente aqueles que buscam alternativas de crença, terminam se deparando com figuras como: Rajneesh Chandra Mohan Jain, conhecidamente Osho; Paramahansa Yogananda; Cláudia Dias Baptista de Souza, cujo nome e designação sacerdotal é Coen Rōshi. Estes três exemplos podem ilustrar algumas situações (i)legítimas. Também é importante conhecer os bastidores do movimento New Age, uma vez que possui acionistas que sequer aderem às pseudoculturas que patrocinam, sendo interessante as informações contidas na já mencionada Falsa Aurora de Lee Peen. Voltando ao assunto, existe um documentário chamado Wild Wild Country, repleto de várias filmagens da verdadeira civilização empreendida pelos adeptos dos ensinamentos de Osho, sendo aconselhável assisti-lo integralmente. Qual a finalidade? Perceber a incoerência que aconteceu naquele ambiente, sobretudo para conhecer o caráter revolucionários de movimentos assim. Ou seja, embora o entusiasta acredite se tratar de algo realmente genuíno, pacífico, libertador, infelizmente desconhece a trama nos bastidores, estas que possuem finalidades perversas e absolutamente desumanas na “melhor” das hipóteses. Significa, portanto, que uma pessoa como Osho é a personificação da maldade? Não, mas diante das informações do documentário, qualquer obra proveniente dele está completamente comprometida. Paramahansa Yogananda, iogue indiano e fundador da SRF (Self-Realization Fellowship) nos EUA, buscou difundir a religiosidade hinduísta através do Kriya Yoga. Verdade seja dita: qualquer coisa oriental no ocidente parece ser melhor, embora o inverso seja igual. Quais seriam as implicâncias do Kriya Yoga no ocidente? Apenas a abertura da comunicação entre culturas diferente. Adere quem procura. Portando, neste ponto, quais motivos levariam um cristão, buscar respostas com Paramahansa Yogananda? Quando alguém não consegue se conciliar com a Igreja Católica, qualquer oferta de religião alternativa se torna válida. Nosso problema é compreender quais motivos, dentre tantos, acarretam estas possibilidades. Coen Rōshi, dentre tantas boas personalidades, consegue manter um diálogo pacífico e humorado. Conhece de dentro a cultura hippie, consagrada no movimento no New Age, embora tenha percebido que não estava realmente satisfeita com aquela libertinagem. Tornou-se sacerdote Zen Budista, atingindo a maestria na religião que passou a difundir no Brasil. Evidentemente que seu posicionamento pode (des)agradar muita gente quando se relaciona ela com ideologias e politicagens, motivo pelo qual deveria se afastar, porém, sobre coisas assim até nosso Santo Padre tenta orientar, motivo pelo qual discordar é humanamente saudável. Apenas para contextualizar minimamente o Zen-Budismo, originário do Japão, basta saber que deriva do Budismo (enquanto religião filosófica) e Taoísmo (sendo uma filosofia que possui práticas religiosas), sendo este proveniente da China e aquele da Índia, embora predomine entre os chineses. Assim como Paramahansa Yogananda, Coen Rōshi adotou uma prática meditativa que, religiosamente falando, exclui Deus, conforme se observa:
10. Quando os sacerdotes católicos se preocupam com a série literária Harry Potter, embora tenham adesão por outras obras de fantasias, espanta que estes contextos aqui demonstrados lhes tenham escapado! Se alguma coisa é capaz de extraviar o homem de Deus, certamente não vai ser num livro amplamente conhecido, sobretudo pela Sumo Pontífice, mas justamente por tantas outras coisas que restam disponibilizadas, acessíveis a qualquer pessoa, desde os longas-metragens apelativos de Hollywood até vídeos curtos no Youtube, responsáveis por colocarem uma frágil adesão católica em cheque simplesmente pelo desprovimento de bagagem instrucional que atinge vários da nossa gente, principalmente quando já estão longes das paróquias ou já possuem desconfiança das catequeses.

11. J. K. Rolling, autora da série Harry Poter, certamente não possui apreço pela Santa Igreja, talvez não tenha sido apresentada aos mistérios de Deus, mas não necessariamente criou uma obra com intenção de desvirtuar o catolicismo em específico, sabendo que judeus e muçulmanos também a contestam. Evidentemente, alguém alheia a religião tende a desagradar as pessoas religiosas. Entretanto, talvez por ter morado em países de forte cultura católica como Portugal, sobretudo na cidade do Porto, próxima a Coimbra, J. K. Rolling incutiu naquilo que escreveu conceitos que também foram adotados por padres jesuítas como metodologia de ensino. Também vale ressaltar que maioria das referências visuais de Harry Potter foram extraídas da cultura portuguesa. Mesmo as vestimentas dos bruxos não passaram batidas, quando aquela autora vestiu seus personagens fielmente com uniformes da Universidade de Coimbra, que tem seu estilo estendido a praticamente toda academia lusitana.

12. Dentro do universo de Harry Poter, Hogwarts, escola dos bruxos, conforme a fantasia escrita por J. K. Rolling, possui uma maneira peculiar de estimular o interesse e a competitividade em benefício do aprendizado que chama atenção pela similaridade com o método pedagógico jesuíta, qual seja, dividir os alunos para somarem pontos e ganharem recompensas na medida que trabalham juntos em benefício da equipe. Enquanto Hogwarts dividias seus alunos em casas (Grifinória, Sonserina, Corvinal e Lufa-Lufa, segundo a tradução brasileira), donde diversas solenidades e torneios aconteciam no intuito de extrair o melhor proveito do ensino, também a Companhia de Jesus, alguns séculos antes do best-seller, aproveitava esta forte energia psicológica nos colégios jesuítas.

13. Segundo a obra O Método Pedagógico dos Jesuítas, Pe. Leonel Franca S.J. apresenta uma realidade muito diferente daquela imaginada por pessoas que são conduzidas pela imaginação dos inimigos da Santa Igreja ou propagadores da desinformação. Assim sendo:
A emulação constitui no seu sistema uma das
forças mais ativas e eficientes.
14. “Se, de fato, os métodos punitivos não eram tidos em grande estima, é porque os jesuítas acordavam da hora dos jovens alunos. A emulação constitui no seu sistema uma das forças mais ativas e eficientes. Os meninos experimentavam-lhe a cada passo os estímulos poderosos”.

15. “A aula era dividida em dois campos, romanos e cartaginenses, casa qual com o seu estandarte; em cada campo dispunham-se por ordem de merecimento os diferentes graus da hierarquia militar; todo aluno tinha no campo adverso um êmulo, rival ou oponente sempre pronto a adverti-lhe os erros e contar, corrigindo-os, uma vitória para sua bandeira. Emulação entre dois partidos; emulação dentro de cada partido onde os postos de honra e de comando só eram conquistados e mantidos a custas de provas e merecimentos escolares. Não raro ainda emulação e luta mais solene entre uma aula toda e imediatamente superior”.

16. “Os prêmios eram outro incentivo poderoso à emulação fecunda. Não os inventaram os jesuítas; mas à sua distribuição deram tal realce e esplendor que a elevaram à altura de um dos atos mais importantes e ansiosamente desejados da vida escolar. Sob a presidência de altas autoridades eclesiásticas e civis, na presença das famílias, galardoavam-se, em solenidades de raro brilho, os resultados finais dos esforços do ano. O Ratio traça normas minuciosas relativas aos prêmios, ao seu número, à realização e julgamento dos concursos para apurar os merecimentos, à sua distribuição solene”.

17. “Aviventadas ainda pela mais nobre emulação, floresciam nos colégios as academias. Nelas, reuniam-se o escol [os melhores] dos estudantes, os que por talento, aplicação e piedade podiam servir a todos de espelho e colher destes trabalhos voluntários os frutos mais copiosos. Sob a orientação de um padre, nomeado pelo Reitor, organizavam-se democraticamente. Presidente, conselheiros, secretários eram eleitos pelos próprios membros da academia, ao menos duas vezes por ano, em escrutínio secreto. As academias incentivavam a atividade espontânea dos alunos, despertavam o gosto da investigação científica e abriam um campo de largos horizontes aos entusiasmos generosos que se não contentavam com as obrigações ordinárias das aulas. As reuniões eram frequentes, mas nas grandes festividades do ano, as sessões revestiam-se de maior aparato: afluíam convidados de fora e as disputas, declamações e discursos desenrolavam-se num ambiente que coroava esforços e estimulava brios”.

18. “Os resultados obtidos com este poderoso estímulo da honra foram mais remunerados. Sabem todos os psicólogos e pedagogos quanto atuam mais eficazmente no ânimo dos jovens as dignidades e distinções escolares, do que as utilidades futuras dos conhecimentos adquiridos. Apelando para a tendência natural à excelência e á glória, o professor lança mão de ‘um motivo mais nobre do que o medo ao castigo, capaz, quando muito, de sacudir a preguiça, não, porém, de acender o entusiasmo’”.

19. Estes são excertos do livro O Método Pedagógico dos Jesuítas do Pe. Leonel Franca S.J., averiguáveis nas páginas 61 a 63 da segunda edição do selo Kírion. Observando a estrutura colocada, semelhanças com Hogwarts são várias, incluindo as sensações demonstradas com tamanha singularidade pelo jesuíta ao descrever os estímulos educacionais empreendidos pela Companhia de Jesus aos alunos dos colégios que dirigiam. Talvez J. K. Rolling realmente não conheça absolutamente nada disto tudo, porém, trocando os nomes contidos na exposição do padre pelas narrativas fantasiadas em Harry Potter, sobretudo nos primeiros volumes da série, dúvidas não sobram sobre tamanha coincidência. Assim sendo, onde está o problema da autora das obras de bruxaria, campeã de vendas no mundo inteiro? Evidentemente que seu grande problema é passar longe da Santa Igreja, porém, quando consegue remover da inércia o gosto pelos livros, tão esquecidos no século XXI, sobretudo por jovens que dispunham de inúmeros videogames e filmes sob demanda, poder-se-ia classificar tal fenômeno como milagre fora de rota, uma vez que não conduz o leitor ao encontro com Deus, mas sim aos bruxos, magias e obscuridades. Neste ponto, aproveitar a grande oportunidade do reboot literário e criativamente atrair as crianças, os jovens, os adultos e mesmo os idosos aos temas católicos se torna o desafio que todos os católicos precisam aceitar e empreender, valendo lembrar que J. K. Rolling deixou uma enorme dica: enredos envolventes não são tão diferentes da realidade já consolidadas pela Santa Igreja – vide a emulação jesuíta apresentada.
    Para referenciar esta postagem:
ROCHA, Pedro. Harry Potter e a Companhia de Jesus. Enquirídio. Maceió, 28 ago. 2021. Disponível em: https://www.enquiridio.org/2021/08/harry-potter-e-a-companhia-de-jesus.html. Acesso em: dd m. aaaa.

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