Ainda existe espaço para o esoterismo?

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Esta pergunta é bastante pertinente, sobretudo diante da ascensão de uma sociedade consumista, materialista e imediatista, donde tudo parece se resumir no quero, no ter e no agora. Isso não se aplica apenas às coisas materiais, como computadores, carros ou roupas. Aplica-se também ao universo do conhecer, do experimentar e do saber, infelizmente.

Enquirídio

Esoterismo demanda tempo, espaço e alguma outra coisa que geralmente se relaciona muito bem com paciência, prudência e persistência. Contudo, estamos inseridos num contexto de produção em larga escala e objetivos globais, onde quase ninguém tem mais tempo e o espaço se revela cada vez mais pequeno, certamente em decorrência dos limites operacionais de uma rotina diária.

Uma pessoa que trabalha de segunda à sexta, termina ficando limitada a pouquíssimos ambientes, restando poucas horas ao longo do dia ou apenas os finais de semana para fazer algo que não seja próprio da sua rotina. Disto emerge um problema na sociedade contemporânea: escolher como usufruir do tempo livre. Perceba como esta questão é importante.

Como o tempo e o espaço se tornaram escassos para maioria das pessoas, sobraram apenas intervalos de minutos, horas e dias para desenvolver qualquer outra atividade que não necessariamente tenha a ver com ganho financeiro. Portanto, conhecer e experimentar o esoterismo também é colocado como escolha, concorrendo com inúmeras outras possibilidades.

Verdade que muitas pessoas até se interessam pelo esoterismo, porém, quando imaginam que para adquirirem certos conhecimentos é preciso de tempo e espaço (além daquela terceira coisa), colocam suas buscas em quinto ou sexto plano, ficando satisfeitas com alguns podcasts, blogs (como este) ou vídeos no YouTube. Existe algo errado nisso?

Navegando pela internet é possível conhecer várias possibilidades esotéricas, sendo uma prática interessante se realizada comedidamente, sobretudo quando se está buscando informações (advindas de um despertar - próprio da terceira coisa que ainda não disse o nome). Todavia, segundo Paracelso explica, a diferença entre o veneno e o remédio está na dose. Diante deste universo on-line, o curioso perceberá pessoas interessantíssimas, sociedades maravilhosas ou portais completíssimos acerca do esoterismo, mas perdurar nisso, recebendo apenas fragmentos disto ou daquilo, pode ser uma mera distração.

Esoterismo não é entretenimento

Vídeos, áudios e textos, encontrados facilmente na internet, podem ajudar, facilitar ou instruir alguém que esteja iniciando suas averiguações sobre questões esotéricas. Contudo, não raro é possível encontrar canais no YouTube, podcasts e blogs trazendo informações equivocadas ou sem qualquer proveito a respeito do esoterismo - e isto não é bom.

A diferença entre o veneno e o remédio está na dose. (Paracelso)
São conteúdos desse gênero que fazem com que mais e mais pessoas se afastem do esoterismo ou, na pior das hipóteses, utilizem-no de maneira banal. Assim sendo, tendo em vista o tempo escasso e uma realidade que impõe escolhas apertadas, certamente parecerá mais plausível se dedicar em outros assuntos do que procurar por verdades esotéricas.

Em um mundo dinâmico, com uma sociedade imediatista, parece que o importante é ter uma resposta na ponta da língua, mesmo que isto não represente conhecimento, mas isto não significa que a pessoa tenha experimentado ou realmente saiba a respeito de questões esotéricas. Afinal, o esoterismo possui uma finalidade muito além do acúmulo de informações.

Desta maneira, embora mais pessoas queiram conhecer, experimentar e saber questões esotéricas, cada vez menos paciência, prudência e persistência são encontradas entre elas, motivo pelo qual, apenas observando este curto parâmetro, o espaço destinado ao esoterismo, assim como outras coisas, talvez esteja entrando em extinção em seu correto teor.
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