Você Confia na Mídia?

Direto ao ponto, nenhuma mídia é informativa. Isto pode parecer contraditório, uma vez que quase todas as pessoas do planeta acessam portais jornalísticos ou mesmo revistas impressas em busca de informações fidedignas. Apesar de buscarem com insistência por conteúdos informativos, apenas recebem parcela mínima dos fatos reais, mesmo assim sob perspectivas impositivas, derivadas de narrativas de circuito aberto, quando o leitor ou espectador fecha a mensagem inercialmente proposta através de processos mentais autônomos.

Enquirídio
Estes processos mentais autônomos decorrem por intermédio daquilo que restou convencionado como Gestalt. Exemplificando, quando uma mensagem não consegue ser nítida o suficiente, surge o problema da falta de pregnância, decorrendo disto uma série de fechamentos inerciais, provenientes de concepções preexistentes já enraizadas na mente em forma de gostos, opiniões, crenças etc. Observe o recorte: "segundo a médica M. Harris sobre o tratamento do paciente, possivelmente exista sim uma possibilidade de avanço". Disto é fácil concluir que provavelmente o "paciente" irá melhorar, embora isto seja mera interpretação por ausência de claridade acerca do termo "avanço".

Circuito aberto é o mecanismo utilizado para formatar na mente do leitor ou espectador um fechamento inercial, aproveitando os gostos, opiniões, crenças que possam condizer com aquela abordagem jornalística segmentada, soando como espécie de hipnose por inserção. Fenômeno facilmente verificável, inclusive. Diante de alguém, solicite que preste atenção naquilo que irá fazer. Comece a contar (1, 2, 3, 4, 5...) enquanto estala os dedos ou bate as mãos. Quando achar apropriado, interrompa a contagem, porém, mantendo o ritmo dos estalados ou batidas. Mesmo que por pouco tempo, aquela pessoa que lhe assistiu passará a completar mentalmente aquilo que estava fazendo. Significa que conhecendo o mínimo acerca da informação é possível realizar suposições para concluir uma transmissão incompleta. Assim o jornal se manifesta, trazendo ao público um contexto que lhe possa parecer bom por simples afinidade, uma vez que seu objetivo é estritamente mercadológico.

Jornais são indústrias, sendo as notícias os produtos que adquirem seus clientes, anunciantes realmente endinheirados. Assim sendo, onde está o público nesta relação? Leitoras ou espectadores... Verdade! Existem os assinantes, entretanto não representam absolutamente nada financeiramente aos negócios midiáticos. Afinal de contas, existem canais, revistas, portais que não cobram absolutamente nada para noticiarem e ainda assim continuam lucrando - como isso é possível? Mídias cuja relevância se baseia em quantidade de audiência barganham altíssimos preços para veicularem anúncios ou mesmo construírem matérias sensacionalistas em proveito da clientela, empresas capazes de pagarem para conseguirem a adesão da opinião pública àquilo que desejam, seja para afirmarem suas mercadorias ou mesmo combaterem a concorrência. Contudo, parece existir jornalistas ou colunistas independentes nestes veículos de comunicação que não aceitam barganhas para subverterem suas opiniões. Exato! Porém, perceba que seguem sempre um raciocínio crítico, possuindo lados sobre certos assuntos, embora isto seja essencial ao negócio da formatação.

Dentro do contexto politizado é possível perceber que pessoas orientadas aos pensamentos de esquerda se valem dos portais partidários, sites independentes ou colunistas específicos de grandes jornais para formarem suas opiniões. Engraçado que mesma lógica se repete diante daqueles que seguem orientações políticas de direita. Somente o aspecto do conteúdo muda, restando nítida e evidente a maneira de ganhar dinheiro de forma segmentada, através de narrativas que possam fazer sentido aos leitores ou espectadores.

Fomentar a opinião pública é essencial ao negócio jornalístico, sempre sensacionalista e quase nunca discreto. Desta forma os anunciantes confiam na ousadia dos jornalistas para produzirem conteúdos que possam ser aderidos por boa parcela do público, passando tais profissionais a receberem reconhecimentos, notoriedade, premiações etc. Existe muito dinheiro circulando no âmbito da informação, sendo uma verdadeira mina, cujo ouro é justamente a matéria com potencial influenciador, capaz de modificar o pensamento das pessoas para acreditarem em certos dados.

Imagine poder modificar a opinião pública sobre determinado produto tão somente para maximizar suas vendas. Nisto os jornalistas trazem notícias sobre os benefícios de certas bebidas alcoólicas, sempre expondo a questão "segundo os cientistas de determinada universidade", porém, jamais trazendo as pesquisas ou apontando onde podem ser encontradas. Várias pessoas endossam tais matéria por afinidade, inclusive para justificarem hábitos e enganarem o cérebro sobre a verdade escancarada: álcool, quando não mata diretamente (complicação renal), leva à óbito indiretamente (acidente de carro).

Pouco importa o resultado da matéria, conquanto o pagamento já tenha sido efetuado pelo cliente na conta do jornal ou jornalista. Como você consegue acreditar numa notícia que por vezes não possui autoria? Textos sempre são feitos por mulheres e homens, mas por conveniência, restam ocultados. Quando certos assuntos são explorados, parece mais sensato esconder o autor do conteúdo. Entretanto, ninguém escapa do estilo da escrita, composição das frases, estética do discurso, sendo certo pouca observação para perceber as nuances jornalísticas e identificar quem escreveu.

BUSQUE POR CREDENCIAIS

Sempre busque a autoria do conteúdo. Quando o autor da matéria não existe ou se encontra oculto, simplesmente abandone a leitura ou vídeo. Sendo a informação composta de texto, ainda é possível copiar e colar fração nos motores de busca da internet no intuito de identificar a publicação original e o responsável por escrevê-la. Conhecendo o nome do jornalista ou colunista é possível pesquisar suas intenções. Geralmente se expõe em mídias sociais ou noutras plataformas e sites. Loucura? Maluquice mesmo é deixar de conferir as credenciais.

Mesmo o Enquirídio possui autoria, bastando o mínimo de empenho para descobri-la. Quando se descobre um autor, também é possível perceber uma série de interesses vinculados, sendo relevante para determinar o nível de confiabilidade da informação. Muitos assuntos são apresentados ao público apenas pelo critério básico de verossimilhança, quando algo poderá ser verdade apenas porque assim parece. Evidentemente que tal pesquisa é trabalhosa, sendo mais fácil aceitar a coisa pronta, mesmo que não signifique benefício.

Depois de encontrar a autoria de determinada matéria, permita-se questionar a respeito da intenção do conteúdo. Seria realmente seu objetivo informar? Aliás, sendo uma informação válida, por que sempre tenho a tendência de catalogá-la como positiva ou negativa de acordo com minhas convicções? Finalmente, quando uma notícia repercute, consegue trazer benefícios ou apenas torna a vida mais vazia e objetal (relativo a objeto)? Entenda: independente do resultado daquilo que foi noticiado, jornais e jornalistas já se enriqueceram.

0 comentário(s):

Postar um comentário