O Retorno do Messias

Mesmo que constante na Bíblia, sobretudo no Novo Testamento, cristãos do mundo inteiro se tornaram céticos ao assistirem "Messiah", série do Netflix que aborda a vinda de um messias em tempos atuais. Apesar do personagem realizar milagres já conhecidos como andar sobre a água, termina sendo colocado em suspeita por investigadores que simplesmente não acreditam naquilo que observam. Embora seja somente uma trama ficcional, reflexões profundas e críticas pertinentes podem surgir a partir desta narrativa messiânica.

A Epítome Ontológica Universal
Petições online para remoção da série no Netflix já foram impetradas, uma vez que, segundo cristãos, "Messiah" desrespeita a religião que seguem. Contudo, diferente da famigerada piada do Portas dos Fundos (apesar do ateísmo ser decorrente da instituição do livre arbítrio já canonizado biblicamente), nenhuma distorção satírica da Bíblia foi realizada, salvo apresentar uma concepção que foge completamente às doutrinas católicas e entendimentos realmente isolados de certas derivações protestantes, apesar de trazerem argumentos retóricos embasados tão somente naquilo que desejam impor como verdade. Perceba como isto acontece.

Primeiramente, diante das escrituras, consta no Tanakh dos judeus, conhecidamente por Velho Testamento entre os cristãos, profecias que aludem a vinda do Messias, embora historicamente os documentos que compõe o livro sagrado anterior aos evangelhos e demais epístolas não traga qualquer indício literário ou tradicional, quando passado oralmente, sobre a razão ou embasamento pelo qual, por exemplo, Isaías disse que uma jovem ficaria grávida de alguém cujo nome significa "Deus está conosco" (Is. 7:14). Logicamente, outras pistas levam a crer numa Belém que recepcionará uma criança que governará Israel, sendo sua origem dos tempos antigos, consoante o capítulo cinco, versículo dois de Miqueias. Além disso, passagens que explicam a ordem do Espírito Santo em determinar que José leve Jesus e Maria ao Egito, evitando o infanticídio ordenado por Herodes até que ele morresse, parecem encontrar respaldo em profetização em épocas de guerras (Os. 11:1).

Sobre esta última colocação, apenas para melhor contextualizar, perceba como remover trechos bíblicos da história concreta pode gerar interpretações proféticas. Oseias (sendo o intermédio divino em certos trechos) não esconde sua ira por Israel, cujas ações permitiram a conquista destes povos pelos assírios, deixando Judá, também vítima dos israelitas, livre, sendo certo que aquele versículo um do capítulo primeiro, qual seja, "Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho", referencia todo o legado histórico semítico acerca dos escolhidos que ainda estavam na Terra de Faraó para realizarem o episódio denominado Êxodo. Entretanto, supondo que Mateus foi realmente quem escreveu seu evangelho, houve uma interpretação capciosa no trecho canônico Mt. 2:13-15, quando expõe: "Depois que eles partiram, o anjo de Jeová apareceu a José num sonho, dizendo: Levanta-te, pegue a criancinha e a mãe dela, fuja para o Egito e fique ali até eu avisá-lo, porque Herodes está prestes a procurar a criancinha para matá-la. Assim, José se levantou, pegou a criancinha e a mãe dela à noite e foi para o Egito. Ele ficou lá até a morte de Herodes. Isso cumpriu o que Jeová tinha dito por meio do seu profeta: 'Do Egito chamei o meu filho'".

Oseias tinha explicitado um comando divino para cumprimento posterior quando disse aquelas palavras? Como dito, remontava, dentro da angústia que sentia, ainda assim divinamente inspirado, perante a corrupção de Israel (enquanto povo eleito, chamado de filho por Deus, apesar de novo ou "menino" em termos de Nação, quando ainda no Egito estava) sobretudo pela aliança que mantinha juntamente aos assírios, prejudicando Judá, terra deste profeta. Explicação mais detalhada, apresentada pelo Professor Fábio Sabino, está disponível clicando aqui.

Lembrando que judeus que seguem o Tanakh não acreditam em Jesus como messias, embora nenhum abaixo-assinado contra tal (des)crença exista pelos cristãos. Aliás, mesmo os muçulmanos, crentes no Alcorão Sagrado, donde certas passagens recriminam algumas das atitudes judaicas, desconversam a ressurreição de Jesus, embora acreditem piamente que seu nascimento foi conforme colocado no evangelho de Mateus no aspecto virginal de Maria pelo Espírito Santo. Confuso? Agora imagine dentro de um enredo moderno para série do Netflix (aviso de spoiler)!

"Al Mesih", alguém que parou o avanço do Estado Islâmico, sendo considerado um verdadeiro milagre aos muçulmanos de determinada região no oriente médio, também conseguia andar sobre a água, salvar pessoas específicas de calamidades naturais e realizar o milagre dos milagres, qual seja, servir como exemplo messiânico igualitariamente às três confissões religiosas abraamicamente primas: judaísmo (por ter nascido em Israel); islamismo (por sua aparição inicial ter sido nas terras tipicamente bíblicas); cristianismo (quando realizou proezas já narradas no Novo Testamento).

Verdade seja dita: alguém capaz de convergir a fé e pacificar os anseios religiosos certamente merece atenção. Afinal de contas, quando na modernidade virtualizada as pessoas conseguirão identificar um verdadeiro messias se evitam seu semelhante mais desvalido diante desta sociedade materialista? Jesus, messias ou apenas alguém divinamente sábio, permaneceu na pobreza material para provar que aquela corrupção pela matéria em Gênesis (queda de Adão) poderia ser redimida, estando salvo todos os seres humanos que vão ao Pai por intermédio do Filho sacrificado.

Raríssimas pessoas seguem exatamente aquilo que Jesus colocou, mas, mesmo assim, são criticadas pelas instituições religiosas que customizam as vontades e verdades do Filho de Deus, quando sentem que alguém não compactua com dogmas contraditórios ao próprio livre arbítrio instituído por força divina. Portanto, "Al Mesih" da série do Netflix, sendo diferente daquilo que pregam os homens institucionalmente, assim como também são muitas outras pessoas não ficcionais, jamais encontrará espaço num lugar isento de Bem-Aventuranças.

Sendo os judeus os divinamente escolhidos e cristãos os salvos pelo Filho do Pai daquele pecado original cometido por Adão, resta saber se conseguem sustentar aquilo que realmente acreditam, sendo até justa a moção de repúdio contra a série do Netflix, ou, assim como noutrora, apenas se contradizem em atitudes que não refletem absolutamente nada daquilo que Deus quer para suas criações humanas? Única certeza é a contemporaneidade daquilo que criticavam veementemente os profetas constante no Tanakh. Assista ao "Messiah", leia a Bíblia, estude e tires suas conclusões.

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