Artigo 13 e o Fim do YouTube

Tramitou com aprovação no Parlamento Europeu um conteúdo legislativo que supostamente colocará fim nas principais plataformas audiovisuais, sobretudo o YouTube, justamente por consequência de maiores imposições legais a respeito de Direitos Autorais, particularmente frágeis perante a internet. Contudo, muitas pessoas estão recebendo esta notícia de maneira equivocada, principalmente pelos YouTubers, juntamente com especulações que olvidam outras perspectivas, gerando frenesi nos espectadores enquanto alavancam o crescimento dos respectivos canais.

A Epítome Ontológica Universal
Segundo a legislação aprovada pelo Parlamento Europeu (link), todos os esforços estão voltados para combater violações de Direitos Autorais. Entretanto, segundo YouTubers brasileiros e portugueses, decorrerá destas medidas, além da castração criativa, suspensão das atividades do YouTube na região europeia.

Mesmo o YouTube está pedindo ajuda aos "criadores de conteúdos" (aspas justificadas adiante), principalmente àqueles cujos vídeos detém maiores índices de visualizações, para juntamente combaterem a implementação desta legislação, fruto único da prática de lobbying, quando grupos de interesses pressionam políticos para conseguirem aprovações legislativas que possam beneficiar seus representados (empresas como emissoras de sinal televisivo) ou mesmo inibirem propostas que não possuam relevância particular. Linha argumentativa sustentada pelos YouTubers em defesa das mídias sociais de maneira geral, inicialmente convincente, embora tal perspectiva não contemple alguns fatos versados a cerca dos Direitos Autorais.

Exemplificando de maneira contextualizada e consoante contemporaneidade, quando um YouTuber publica um GamePlay no YouTube sem autorização da desenvolvedora, além de nada criar, embora acredite estar contribuindo na divulgação daquele jogo eletrônico, somente desgasta a experiência dos demais usuários, removendo do produto seu caráter inédito. Empresas mais adiantadas neste sentido já possuem seus canais oficiais e amadores de interação, embutidos em plataformas como Steam, Xbox Live e PSN.

Imagine que sua empresa gastou muito dinheiro desenvolvendo um entretenimento programacional gráfico muito complexo, participando dele diversos profissionais no intuito de apresentarem o melhor ao público. Disto, alguém decide explorar este produto ao gravá-lo para posteriormente publicá-lo no YouTube sem nem solicitar autorização dos criadores, recebendo ainda monetização pela quantidade de visualizações obtidas. Agora pense que não foi uma produção empresarial, mas uma criação caseira que restou exibida num vídeo monetizado de algum YouTuber.

Lembrando o exemplo do GamePlay, alguns YouTubers não deveriam ser considerados "criadores de conteúdos". Aqueles que realmente criam ou recebem autorização para utilizar criações, certamente não devem estar preocupados com qualquer legislação advinda do Parlamento Europeu. Agora uma coisa ficou nítida: o próprio YouTube utiliza seus afiliados para propagarem lobbying através de "influenciadores digitais" que estranhamente possuem padrões de vídeos quase idênticos, incluindo pautas e maneiras de realizarem o entretenimento, pois disto não passam.

Supostamente, através do Artigo 13 (link), YouTube e demais plataformas de interação virtual deverão desenvolver filtros para detectarem conteúdos de terceiros, passíveis de receberem Direitos Autorais. YouTubers se queixam por não poderem, diante disto, copiar e colar vídeos, sons, imagens etc. Esquecem que estar online não significa ser gratuito. Adiante, reclamam também da desmonetização por violação autoral. Segundo alguns, sendo detectado trecho de vídeo, imagem ou música de outro na própria publicação, qualquer quantia gerada será revertida ao criador original.

Ainda sobre estes detalhes, quando o YouTube realiza este tipo de procedimento, desviando a monetização de publicação que utilizou indevidamente obra protegida, cedendo ao autor original o montante recebido por engajamento, ainda assim retém uma parcela, lucrando tanto em operações legais, quanto em ilegais - e nisto pensaram os deputados do Parlamento Europeu, lembrando ainda as antigas intrigas que possuem contra Google e Facebook, incluindo questões burocráticas no combate ao monopólio e detenção de informações privilegiadas.

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