Você é Aquilo que Escolhe Imitar?

Indo direto ao ponto, poucas pessoas compreendem o funcionamento do cérebro humano, restando à grande maioria da população o completo desentendimento das funções cerebrais, principalmente por pouco ou nunca procurarem informações que possibilitem o mínimo de conhecimento, inclusive a respeito de si mesmos(as). Assim sendo, pretende este Enquirídio no decorrer da postagem lançar alguns dados importantes, mais na forma de estímulos ao conhecimento do que como respostas definitivas, inclusive pela delicadeza e profundidade que possuem alguns assuntos.

A Epítome Ontológica Universal
Imitação. Tirando as nuances, detalhes mais sutis, todas as pessoas imitam, desde a infância até a maturidade. Contudo, imitar requer escolher uma coisa ou outra. Escolhas dependem de diversos fatores, porém, qualquer um preferirá aquelas mais recompensatórios, sendo melhor apreendidos pelo cérebro.

Dentre os principais fenômenos cerebrais, certamente as sinapses (conexões entre neurônios, células responsáveis por conduzirem os impulsos nervosos oriundos dos meios externo e interno do corpo) merecem maior destaque à compreensão das imitações escolhidas consciente e inconscientemente.

Partindo do princípio, recém-nascidos não possuem conexões neurais, embora sejam iniciadas na medida do recebimento de informações sensoriais (através da audição, visão, tato, paladar e olfato). Significa que cérebros de bebês são verdadeiros papéis em branco, sendo as sinapses os registros escritos, não à caneta, mas à lápis, pois parte deste conteúdo será completamente apagado, restando saber apenas o que seria a borracha. Para tanto, observe o exemplo a seguir.

Quando filhos tentam reproduzir certa pronúncia de palavra ao ouvirem alguém falar, seus pais podem responder de maneira afirmativa ou negativa, estimulando ou coibindo no simples intuito de educar, significando preservar ou destruir conexões neurais. Igualmente, quando se percebe que comportamento "a" traz mais recompensas, "b" termina sendo esquecido. Fenômeno recompensatório que ocorre necessariamente de maneira consciente ou inconsciente, bastando observar os presentes e castigos dados às crianças.

Crianças quando se comportam conforme as instruções dos pais tendem a receber recompensas, desde gestos afetuosos até presentes materiais (talvez aqui esteja a origem do materialismo). Recompensar positivamente criará sinapses a serem mantidas pelo cérebro. Quanto mais reforçado é o comportamento, mais fortalecida é a conexão neural. Portanto, retribuir uma birra com respostas positivas (carinhos, abraços, sorrisos etc.) somente estimulará sua repetição, agora ou no futuro. Existe também uma maneira recompensatória, porém, através da coibição, conforme descrita adiante.

Imagine que uma criança, prestes a colocar o dedo numa saída de energia, recebe uma palmada. Certamente não compreenderá aquela atitude, embora perceba que fazer aquilo não lhe conceda nenhuma recompensa. Teimando repetir o gesto perigoso, porém, recebendo novamente a mesma coibição, ficará reforçado a resposta negativa, sendo recompensatório não reincidir. Desta forma, sobra ao cérebro esquecer aquela curiosidade, apesar de manter a sinapse inconscientemente até que com amadurecimento consiga compreender conscientemente o conceito de corrente elétrica.

Assim sendo, crianças tanto podem aprender com respostas positivas como negativas, consciente ou inconscientemente, decorrendo destes modos de apreensão o comportamento que irá ser perpetuado na maturidade. Ignorá-las significa permitir que busquem informações com outras pessoas, geralmente noutros lugares, cabendo aos pais ou responsáveis na ausência destes sempre estimularem ou coibirem aquilo que julgam necessários à educação, resultado final destas iterações entre humanos, tendo em vista escolhas certas para imitações melhores.

Muito daquilo que existe no inconsciente humano provém de sinapses cujos sentidos ainda não foram apreendidos. Conscientemente, fenômeno parecido ocorre quando crianças, observando determinado comportamento, tentam imitar aquilo por julgam ser atrativo, divertido, engraçado, apesar de desconhecerem o significado. Suponha que "a" e "b" são educados no mesmo ambiente. Percebendo "b" que "a" recebe recompensa ao executar certa atividade, tenta imitar, porém, sendo coibido ao invés de estimulado. Quer dizer que foi errada a imitação? Certamente, embora o propósito de ambos em termos de recompensação sejam quase idênticos. Caso os responsáveis não expliquem os motivos pelos quais coibiram aquela atitude, causarão sequelas que poderão ser reforçadas por sentimentos de frustração, abandono ou maltrato assim que compreendidas (lembrando que todos os seres humanos demandam mais ou menos tempo neste processo de aprendizado a respeito dos conceitos contidos nas palavras). Imagine que disto algum estranho assiste a imitação dos modos de "a" feitos por "b", recompensando este logo em seguida com gestos afetivos. Talvez o valor atribuído por "b" ao estranho se torne maior em comparação aos responsáveis que não explicaram aquela coibição, permitindo desta forma a influência alheia ao indivíduo que necessitava, além da resposta negativa, instruções para formação da conexão neural, uma vez que aquela conduta praticada por "b" realmente não lhe era própria, segundo as orientações educacionais daquela família, independente do mérito, uma vez que tal hipótese foi aventada no âmbito da subjetividade. Através deste exemplo, talvez tenha ficado claro a binaridade sináptica, mesmo diante de situações complexas.

Através do acúmulo de informações, escolhidas conforme maior ou menor valorização, mesmo assim, condicionadas por incidência de respostas positivas e negativas, recebidas para cada interação e reforçadas com coibições ou estímulos, crianças vão adquirindo um modelo de comportamento básico até acharem que possuem dados suficientes para formularem suas próprias, porém aparentes, verdades. Fenômeno que geralmente ocorre na puberdade. Imaturos, tendem a aflorarem suas emoções com facilidade ao invés de racionalizarem acerca daquilo que observam e fazem, mesmo assim imitando, porém, talvez outras pessoas ao invés dos responsáveis que tentaram transmitir um determinado padrão educacional. Desta forma, acabam por selecionar personagens e contextos mais emotivos como objetos dignos de imitação, motivo pelo qual lutadores e cantoras, dentre outras referências mais atualizadas que sejam mais explosivas em termos comportamentais, parecem mais valorativos em comparação com filósofos ou religiosas, mesmo que estes dois também possam lutar ou cantar, embora seja extremamente simples explicar este fenômeno.

Sabendo que pessoas na puberdade se inclinam para comportamentos mais aflorados, especialistas em marketing, visando evidentemente a movimentação mercantil, estimulam os jovens através da autoafirmação de valores aparentes (justamente por poderem ser alterados no decorrer da vivência, culminando na maturidade), porém, indutivamente, intermediada pela influência, projetando modelos comportamentais que possibilitem o melhor aproveitamento daquelas características emocionais para promoverem seus objetivos particulares. Desta forma, artes, filmes, músicas, incluindo os respectivos artistas (geralmente subordinados aos produtores), apelam ao sentimentalismo para incutirem suas ideias, exatamente por compreenderem a supervalorização sentimental dos adolescentes em detrimento da racionalidade que somente conquistarão com alicerces educacionais, conjunto de informações legados pelos responsáveis: pais, avós, tios, irmãos, tutores etc. Pessoas preocupadas verdadeiramente em transmitir a educação necessária ao convívio particular ou perante a sociedade, dispostas a assumirem as responsabilidades para tanto.

Ainda sobre esta questão, perceba que quanto mais exposto é o adolescente naqueles ambientes, maior aderência terá aos valores por ali projetados, embora possam ser passageiros se houver alicerce educacional, traduzido ao cérebro pelo reforço sináptico, derivado das escolhas e consequentes imitações. Assim sendo, alguém, quanto jovem, poderá ouvir bandas de Heavy Metal, aderindo à utilização de jaquetas de couro e calças rasgadas (embora isto seja meio Punk também), apesar de compreender necessitar de outras roupas quando for procurar seu primeiro estágio.

Discernimento é a principal conquista num processo educacional. Isto requer sinapses sólidas, muito envolvimento dos responsáveis no processo de educação das crianças para posterior manutenção destes valores quando aquelas se tornarem adolescentes. Permitir a imitação disto ao invés daquilo, incentivando ou coibindo, recompensando positiva ou negativamente, realmente é necessário ao cérebro infantil, desprovido de conexões neurais, devendo estas, diante da puberdade, estarem suficientemente formadas, consoante os princípios a serem legados, transmitidos entre gerações.

Você acaba se tornando alguém mais pelas sinapses esquecidas, sobrando aquelas que foram reforçadas ao longo do tempo. Escolher é a principal atividade humana neste processo de amadurecimento. Apesar da importância dos responsáveis na educação, atingindo a puberdade, principalmente quando muitos conceitos já foram assimilados, decidir dependerá cada vez mais do próprio poder de escolha, cabendo permitir ou afastar influências e inspirações, sobretudo, contrapesando valores, apesar dos resultados ainda serem imitações customizadas.

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