Candidatos Ruins, Eleitores Piores

Maior parte da população brasileira estará exercendo o sufrágio em outubro, porém, pouco compreendendo o significado deste termo. Igualmente, quase nada sabem a respeito de sistemas políticos, incluindo a diferença básica entre Estado e governo. Também não conseguem entender que propostas e promessas se baseiam em indícios de consistência, estando esta vinculada necessariamente à possibilidade jurídica, econômica, geográfica etc. Além disso, ainda confiam na mídia como principal fonte de (in)formação, apesar do acesso facilitado dos fatos pela internet.

A Epítome Ontológica Universal
Quase toda população brasileira, desde os mais velhos até aqueles mais novos, ouviu algo parecido com "não se discute política, futebol e religião", certo? Justamente por tal "senso comum" o Brasil se encontra numa situação que nem parece de extrema-esquerda, muito menos de extrema-direita, mas de extrema-unção, citando o Min. Hermes.

Mesmo atualmente, quando os cidadãos do país resolveram debater política, acabam por tão somente torcerem por lados, assim como cotidianamente o fazem pelos times de futebol. Lógico, atrelado à isto está o baixíssimo índice de conhecimento decorrente da completa inabilidade para desbravar o mundo literário.

Deixando as críticas de lado, passando aos temas da presente postagem, uma vez que prosseguirão no sentido do esclarecimento, saiba que por sufrágio, apesar de amplamente divulgado como direito, contrariamente representa uma obrigação eleitoral, exercida através da votação. Portanto, deixando de votar, deverá o eleitor se justificar ao juízo eleitoral, ficando sujeito a multa se desta forma não proceder ou restar injustificada sua ausência neste exercício.

Mesmo pessoas sem qualquer vontade ou inclinação para decidir sobre seu próprio futuro são obrigadas a exercer o sufrágio. Quem puder arcar com multas ou justificativas, simplesmente assim prefere. Porém, grande parte do eleitorado brasileiro é humilde e vulnerável às armadinhas eleitoreiras, sendo ônus grave ao bolso qualquer penalidade pecuniária. Sobre esta classe, infelizmente desvalida, certos comentaristas de política ainda insistem em trazer a moral ao debate, dizendo que não poderiam vender o voto, ainda mais pelos míseros trocados ofertados pelos candidatos corruptos, pois assim estariam contribuindo o ciclo vicioso da desonestidade. Verdade! Entretanto, recebendo como salário uma quantia mensal de novecentos reais, aquele que recebe uma oferta de cem reais num único dia termina achando uma barganha. Acontece que maioria da população brasileira, independentemente da renda recebida, possui interesses imediatistas e egoístas. Desta forma, terminam pagando caro por concederem cargos políticos aos corruptos por vários anos pelos erros baratos cometidos em instantes de minuto.

Quando assim exercem o "direito" ao sufrágio, poder de escolher alguém que represente seus interesses, acreditam piamente que aquele político possui autonomia própria, isenta de satisfações para com outra instituição pouco compreendida no país: partido. Resumidamente, quando o eleitorado brasileiro vota em determinado candidato, acreditando nas propostas/promessas por ele elencadas, esquecem que sua chapa se embasa nos objetivos partidários. Assim sendo, para concordar com alguém, precisa também avaliar as ideia da sigla.

Existe um exemplo bem simples que ilustra a questão acima colocada. Assim que você tiver oportunidade, assista ao plenário da TV Câmara. Quando as questões são meramente políticas, perceba como determina a presidência da casa o sistema de votação: reúne os políticos de determinado partido para votarem em bloco. Afinal, todos ali comungam das mesmas ideias partidárias. Contudo, certamente poucos sabem disso. Noutra hipótese, sendo o tema ideológico (Impeachment), votam conforme se espera: um por um. Interessante, certo?

Termos como república e democracia são facilmente confundidos, achando boa parte que são apenas sinônimos. Perceba: república é a forma de governo ou estrutura de Estado, sendo democracia a maneira disto acontecer. Apesar destas terminologias possuírem definições clássicas, atualmente tais palavras sofreram tamanha subversão que não podem ser compreendidas definitivamente, mas tão somente perante o caso concreto. Democraticamente não significa legalmente ou constitucionalmente se conceituada ideologicamente.

Enquanto o Estado é republicano (poderia ser monárquico), democrático é o governo (poderia ser autocrático), sendo este passageiro e aquele constante. Porém, forças ideológicas no Brasil sempre desejaram substituir um pelo outro, fazendo do transitório algo permanente. Seria o mesmo que dizer que determinado partido deseja ficar perpetuamente no poder, algo incompatível com República. Portanto, encontra-se na democracia uma falha grave, capaz de permitir que apenas uma vertente política perdure indeterminadamente, rompendo as estruturas políticas descritas.

Diferenciar uma proposta de promessa é simples, pois tudo depende do grau de exequibilidade. Exemplificando, falando certo candidato que perdoaria a dívida da população perante aos bancos, resta apenas saber como tais instituições serão pagas, afinal de contas, seria terrível ao pai ver seu filho endividado. Entretanto, político não assume paternidade de eleitor, muito menos vai utilizar o dinheiro do contribuinte adimplente para quitar dívidas particulares. Assim sendo, ficam perceptíveis que economicamente e legalmente falando, medidas como estas são verdadeiras promessas.

Noutro exemplo, apenas para mostrar que conhecer um candidato requer acompanhamento prévio. Imagine que determinada ambientalista perante uma calamidade de extrema proporção, não fez uma crítica sequer, uma vez que aquele que causou o desastre também lhe patrocinava ou mantinha vínculos estreitos de interesses políticos. Agora pense que ela resolve se candidatar, tendo como "proposta" defender o meio ambiente e iniciativas ecologicamente corretas, porém, recebendo financiamento de campanha advindo daquele que destruiu a natureza.

Atualmente, qualquer brasileiro que possua uma opinião conservadora está sujeito à censura. Parece que estão fechando o cerco no intuito de somente possibilitar ao cidadão ser informado através da mídia convencional, uma vez que canais de YouTube, páginas de Facebook e contas no Twitter estão sendo sumariamente excluídas ou desencorajadas. Infelizmente, talvez isto nem fosse preciso, pois grande parte do eleitorado brasileiro ainda permanece comodista, sendo conveniente receber da televisão a coisa já mastigada, dispensando a pesquisa e a racionalidade.

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