O Cesto de Moisés: Cópia ou Coincidência?

Certamente, quase todas as pessoas que seguem as tradições judaica e cristã já ouviram e leram sobre a história de Moisés nas primeiras passagens do Êxodo, quando foi abandonado ainda nos primeiros meses de vida pela sua própria mãe numa arca, deixado à margem do rio para ser encontrado pela filha do faraó. História que possui suas razões face supostas atrocidades contra meninos nascidos naquela época. Entretanto, narrativa muito semelhante já havia sido registrada anteriormente noutro tempo e espaço.

A Epítome Ontológica Universal
Segundo o autor Federico A. Arborio Mella no livro Dos Sumérios à Babel, outro personagem histórico havia sido gerado em segredo por sua mãe, provavelmente por receio de circunstâncias perversas, apesar de inespecíficas. Este episódio aconteceu no milênio anterior ao nascimento de Moisés.

Registros da biblioteca de Assurbanípal contém documento atribuído ao próprio personagem mencionado, quando, enfim, realiza sua própria apresentação, dizendo ser Charruquénu, soberano de Acádia, cuja mãe foi sacerdotisa em Azupiranu, localizada às margens do rio Eufrates, sendo desconhecido seu pai.

Segundo tal fragmento, depois de concebido e gerado sob sigilo, Charruquénu foi deixado à margem do rio por sua mãe, dentro dum cesto de junco, visando esperançosamente que aquela criança fosse afastada pelas correntezas para outro local, onde pudesse ser encontrada por outras pessoas que provavelmente o criariam. Você deve estar se questionando sobre este personagem histórico, uma vez que seu nome parece completamente estranho, certo?

Charruquénu significa "Rei Legítimo", título autoproclamado por Sargão, cujo legado histórico é composto por relatos de grandes conquistas bélicas, sobretudo no plano estratégico. Apesar deste soberano ter sua notoriedade, como os ancestrais dos hebreus (termo traduzido como "gente do outro lado do rio" em referência ao Eufrates) adquiriram o conhecimento acerca do mencionado episódio ao ponto de reproduzirem-no quase que identicamente na Torá? Acontece que enquanto os sumérios empreendiam o cultivo na região da Mesopotâmia, semitas circunscritos em localidades vizinhas já imigravam em busca de terras férteis, talvez em busca do novo Éden. Aliás, estes descendentes de Sem, filho de Noé, foram identificados com certa precisão por Federico A. Arborio Mella através de evidências econômicas, enquanto praticantes de mercado restrito, baseado nas instituições de capital privado. Embora realmente possa ter ocorrido uma homogenização entre estes povos com aqueles acádios, historiadores ainda consideram este período como berço do semitismo, apesar dos reis sumerianos não terem sido necessariamente destronados.

Muito provavelmente estes contextos sejam apenas mitologias para tentarem explicar fenômenos arquetípicos relacionados aos nascimento de líderes, mas sendo verdadeiros, seria o relato bíblico de Moisés cópia da história narrada pelo rei Sargão quase mil anos antes? Talvez deixar crianças no rio para serem encontradas por estranhos tenha sido prática milenar naquela região por mães que temiam o pior para seus filhos se optassem pela própria guarda, embora extinta no decorrer de mais alguns séculos. Enfim, ainda existem outras semelhanças que serão exploradas neste Enquirídio.

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