Dualidade Política Ficcional no Brasil

Atualmente no Brasil, parece que qualquer coisa precisa necessariamente estar associada a posicionamentos políticos, mesmo assim, havendo apenas duas grandes orientações: direta e esquerda. Perguntando sobre o significado destas direções ao cidadão comum, aquele que assiste televisão e assina jornal ou revista, muito provavelmente será percebido a vinculação de diversos símbolos para montar a estrutura daquilo que deveria representar seu imaginário, relacionando substratos dos meios de comunicação de massa como evidências.

A Epítome Ontológica Universal
Geralmente associam a direita o posicionamento mais conservador, voltado a família e religião, restando à esquerda a concretização da igualdade, ciência e liberdade. Contudo, paradigmas sofrem alterações constantemente, mudando os contextos e transformando posições já consolidadas em possibilidades.

Noutra época, segundo Raymond Aron, filósofo e sociólogo francês, talvez as representações políticas fossem mais nítidas, quando os assentos à esquerda do presidente nas câmaras francesas eram reservadas aos partidos de oposição ao governo. Seria tudo muito simples se estas divisões partissem deste princípio.

Talvez no YouTube, superando a própria mídia tradicional, estejam contidos os maiores e piores debates sobre política de todos os tempos, quando produtos alimentícios são designados para representar posicionamentos políticos, criando novos símbolos de amor e ódio. Além da coxinha e mortadela (agora até Nutela representa classe específica de pessoas), vários outros componentes consubstanciam os conceitos de direita e esquerda.

Inegável é a associação de alguns partidos políticos com ideologias marxistas. Deixando de lado toda filosofia por trás desta corrente para focar apenas num minúsculo aspecto, segundo Karl Marx no texto introdutório da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, publicada em 1844, "religião é o ópio do povo" (outros escritores já utilizaram tal expressão antes). Certamente, ofensa direcionada a qualquer segmento religioso, correto? Assim sendo, acompanhou este Enquirídio alguns grupos minoritários para propagação de fé importada do médio oriente ao Brasil. Nestes círculos foi possível perceber a aproximação dos praticantes com supostos defensores das minorias, ligados às siglas socialistas e comunistas, sobretudo, visando certo resguardo em troca de favores eleitorais. Hipoteticamente falando, depois da ascensão ao poder e posterior domínio por aqueles políticos, pessoas eleitas em razão deste escambo, resta questionar quais dos interesses prevalecerão: premissas advindas do marxismo contra as drogas que entorpecem o oprimido ou doutrinas e liturgias presentes nas manifestações dos credos?

Neste breve exemplo, interesses classicamente rotulados por esquerdistas se misturam com possibilidades direitistas, pouco importando os valores prezados particularmente, notavelmente antagônicos e incompatíveis, motivo pelo qual parece impossível perceber estes conceitos sem levar em consideração os atributos íntimos que qualquer pessoa atribua ao conjunto dos símbolos observados. Significaria imputar ao religioso qualidades da direita conservadora enquanto restaria aos ateus as condições da esquerda liberal, muito embora existam incrédulos conservadores e devotos liberais.

Disto, fenômeno extremamente curioso acontece na plataforma de compartilhamento de vídeos: parecendo um cabo-de-guerra às avessas, empurram Adolf Hitler para enaltecerem os aspectos negativos destes lados políticos, tecendo teorias para corroborarem o nazismo (geralmente confundido com fascismo e imperialismo) com orientações da direita ou esquerda. Mesmo o nacional-socialismo alemão é completamente diferente do apenas socialismo dos soviéticos (tema para outra postagem), talvez não condizendo em termos políticos com nenhuma das vertentes nesta dualidade.

Apenas para reforçar, sendo os socialistas adeptos de teorias com qualidades esquerdistas, vale ressaltar que Adolf Hitler tinha por estes uma rivalidade declarada em termos ideológicos e políticos. Portanto, jogá-lo na esquerda é carência de lógica. Também não significa automaticamente que ele era direitista! Neste sentido, direita e esquerda não conseguirão caracterizar o nazismo, muito menos qualquer outro sistema de governo de personalidade própria como foram os antigos e remotos da história.

Observe que mesmo uma pessoa que defenda um comércio menos regulado pelo governo pode compreender e interceder pelos trabalhadores para perceberem os salários e condições consoante a dignidade humana. Quando alguém olvida a opressão laboral, significa ser conservador de direita? Diferentemente, lutando uma pessoa pelos direitos dos menos favorecidos o torna pertencente aos ideais da esquerda? Opressores e defensores não precisam de orientação política para agirem: fazem por convicção.

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