Deus é Poliglota?

Alguns leitores perguntaram recentemente ao Enquirídio, através do endereço eletrônico enquiridio@protonmail.com, sobre o idioma divino. Pergunta bem colocada, levando em consideração os vários povos do mundo que foram subdivididos por questões culturais, incluindo evidentemente a maneira de se comunicarem. Enquanto uns pronunciam "God", outros dizem "Allah" ou "Elohim", gerando uma dúvida única: Deus é poliglota? Ironicamente, jamais alguém atingirá tal metafísica tentando pronunciar ou embutir conceitos numa palavra cuja imagem acústica somente revelará diferenças pessoais.

A Epítome Ontológica Universal
Qual a pronúncia correta para invocar e contemplar as manifestações divinas? Neste exato ponto, ressalta o ceticismo: nenhuma! Observe que qualquer nome pressupõe outros aspectos, atrelados a questões históricas, registradas culturalmente em civilizações diferentes por definições propriamente convencionadas.

Mesmo numa civilização específica, cristã em maioria, existem interpretações diferentes para questões que deveriam ser taxativas por estarem assim definidas no livro sagrado daquela religião. Diante deste pequeno ponto é possível compreender que Deus não deverá ser contatado tão cedo, independentemente do idioma utilizado.

Quando alguém expressa "Allah", coloca naquela pronúncia os valores islâmicos, baseados nas doutrinas do profeta Muhammad. Igualmente, dizendo "Elohim", judeus invocam uma potencialidade da divindade segundo suas crenças. Pronunciando "God", pessoas da cultura de língua inglesa (cristãs, anglicanas, protestantes etc.) remontam suas conquistas históricas sobre civilizações que provavelmente adotaram ou adoraram o Deus errado.

Acontece que nenhum idioma será capaz de se comunicar com Deus, mesmo havendo um tradutor celestial poderoso. Permita-se realizar um breve teste: pense no caminhão dos bombeiros. Estamos certo sobre sua cor vermelha? Talvez. Agora imagine um carro de polícia. Certamente a viatura é composta de tons azulados com branco, correto? Poderia ser preta? Quem sabe verde! Acontece que nenhuma das alternativas descreverá com precisão a imagem acústica formada na mente de cada pessoa, independentemente da linguagem utilizada.

Fenômeno idêntico ocorre quando alguém tenta se comunicar com Deus pela linguagem simbólica. Basta perceber que mesmo uma divindade incognoscível parece ser representada por diversos povos através de artifícios bastante comuns dentro daquelas culturas, refletindo apenas a mentalidade daquela pessoa ou segmento religioso. Enquanto católicos veneram imagens, protestantes simplesmente repudiam tais atitudes. Jamais existirá um consenso, uma vez que não interessa às instituições da fé promoverem o entendimento (apesar do teatro).

Sobre esta última questão, compreenda que nenhuma instituição religiosa pretende perder fieis para outras designações. Assim sendo, recomenda fortemente este Enquirídio que seu leitor procure nas fontes tradicionais as verdades omitidas pelas entidades que teimam em afirmarem seus falsos poderes procuratórios para falarem por uma emanação onisciente, onipotente e onipresente. Importa mais compreender as manifestações do incognoscível ao invés de tentar criar linguagem específica que não resultará na verdade.

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