Abismo Entre Religiões - Parte I

Metade do mundo segue o cristianismo e o islamismo como sistemas religiosos, porém, olvidando os verdadeiros ensinamentos por não manter o diálogo necessário à compreensão das escrituras que são concordantes em diversos sentidos. Naquilo que discordam, apesar de verdadeiramente inclinadas aos desígnios de Deus, Alá ou Adonai, esquecem o respeito pela diferença que justifica a individualidade e arbítrio, apesar da interconexão pela mesma fonte regente. Talvez esta seja apenas uma primeira postagem sobre o abismo entre as religiões.

A Epítome Ontológica Universal
Considere esta publicação como introdução deste Enquirídio no estudo comparado entre religiões, começando pelas premissas do Novo Testamento acerca do nascimento de Jesus. Observe como linguagens diferentes falam sobre a mesma coisa com determinada equivalência, apesar da nítida diferença existente.

Através de Mateus, conforme a Bíblia de Jerusalém, ficou claro uma coisa: Maria concebeu Jesus sem que José participasse biologicamente desta concepção. Mesma colocação é encontrada no Alcorão, quando afirma ser aquela criança originada de maneira milagrosa, apesar de pouco comentarem sobre a paternidade judaica.

Aproveitando, sobre a descendência judaica de Jesus, vale lembrar que era José o descendente de Davi, não Maria, sendo confirmado no B'rit Hadashah, correspondente ao Novo Testamento cristão. Significa que religiões diferentes concordam sobre o nascimento do messias ou mensageiro divino, reconhecendo a mesma maternidade e contexto histórico, remetido ao reinado de Herodes. Assim sendo, indício de divergência não existe, senão quando resultante da relativização textual.

Acontece que enquanto os cristãos tomam o herdeiro de Davi por divindade, esquecendo que ele clamava ao Pai diversas vezes, judeus, apesar de afirmarem o nascimento milagroso do filho de Maria, focam no divino como premissa maior para manifestações da própria fé. Neste sentido, advertem os muçulmanos que ambos estão equivocados, uma vez que não deveriam esquecer que Alá (Deus) enviou o mensageiro (Jesus) como sinal aos homens e exemplo de redenção, arrependimento necessário para trazer à Terra o Paraíso Celestial.

Poucos conseguem realizar uma leitura compromissada para compreenderem as nuances históricas que tentam remontar os relatos daqueles tempos. Esta pequena introdução acerca do abismo entre religiões conclui que somente o homem é capaz de criar divergências sobre um texto bastante convergente, ficando a diferença revelada apenas pela maneira de se manifestarem, talvez, segundo suas próprias motivações particularizadas - deveras incompatíveis aos ensinamentos das Sagradas Escrituras enquanto universal.

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