Inspirando ou Influenciado: Como Você se Sente?

Embora sejam apenas palavras simples, utilizadas diariamente sem maiores reflexões, necessitam do emprego correto para que o contexto possa revelar seu sentido apropriadamente. Doutra forma, sempre haverá confusão ou, como ocorre atualmente, aplicabilidade diversa, promovendo inicialmente a descaracterização do termo e, num segundo momento, a própria subversão do contexto. Existe uma real diferença entre inspiração e influência, inclusive com um valor benéfico e maléfico, motivo pelo qual a certa empregabilidade poderá lhe ajudar na percepção de outras questões cotidianas.

A Epítome Ontológica Universal
Saber a diferença entre inspiração e influência parece mera questão linguística, mas certamente envolve outros quesitos, principalmente sobre a compreensão de quando e como cada um desses conceitos interagem consigo cotidianamente, sendo certo como primeiro passo entender o que eles significam.

Quando algo lhe influencia, está evidentemente exercendo certo peso sobre suas faculdades mentais de tal forma a canalizar sua percepção ao ponto desejado, seja por um argumento, ideia, pensamento etc. Percebendo esta intromissão na mente, talvez seja possível discernir e admitir o que lhe for certo ou errado acerca disso.

Contudo, quando determinada influência consegue penetrar sua mente sem que seja percebida, talvez uma ou várias reações indesejadas sejam desencadeadas sem qualquer autorização consciente, residindo, neste caso, o perigo e a negatividade do conceito que se vincula ao termo. Noutras palavras, imagine ser influenciado por uma ideia cujo objetivo lhe seja completamente desconhecido, mas por sua força, conduza-o a replicá-la como se verdade e parte dos seus próprios pensamentos fosse.

Estar sob influência propicia o distanciamento de ponderações, prejudicando o julgamento perante fatos sobre os quais se fazem necessárias certas reflexões antes de assumir qualquer postura. Quando alguém replica algo, embora desconhecendo seu real motivo, revela sinais não apenas de que está influenciado, mas também de que está influenciando, embora na qualidade de mero replicador, restando tão nocivo para si próprio quanto para as demais pessoas em sua volta. Isto não pode soar positivo, uma vez que cada qual deve ser dono do seu próprio pensamento.

Nenhuma ideia merece asilo senão por consentimento expresso das faculdades mentais. Diferente disto, tudo não passa de violação mental. Cada um responde pelos próprios atos, motivo pelo qual também devem ser responsáveis pelas ideias que nutrem. Caso um pensamento lhe seja mais forte e, desse modo, interaja para além de sua própria convicção, perpetuando questões cujos objetivos lhe fogem a compreensão, como se justificar perante um questionamento mediante determinada atitude decorrente tão somente dessa influência? "Não sei, só sei que foi assim"?

Mesmo algo evidentemente correto não deveria lhe influenciar. Não no sentido da palavra, pois, conforme visto, restaria limitando sua própria concepção a respeito do que quer que seja. Contudo, quando uma coisa lhe motiva verdadeiramente a busca mais, reforçando suas convicções, porém sem determinar como, a partir dali, suas ações deverão ser desdobradas para alcançar o objetivo que lhe seja compreendidamente certo, certamente estará diante de uma inspiração, passível de justificação por próprios méritos.

A Epítome Ontológica Universal
Apesar de alguém ou algo servir como fonte de inspiração, todas as atitudes posteriores, adotadas para o atingimento do objetivo, serão tão somente originárias e não derivadas. Se forem decorrentes, certamente serão por influência. Assim sendo, quando alguém faz algo porque outra pessoa também o fez, haje por ter sido inspirado, uma vez que nenhum pensamento lhe tenha corrompido a mente, sendo aceita e compreendida a ideia de maneira consciente tal qual fora sua atitude a partir dali, que apesar de muito semelhante ao fato inspirador, condiz apenas para com uma realização própria, pessoalmente vinculada e individualmente justificável.

Dentre os critério, percebe-se que consciência é a chave para distinguir os efeitos mencionados, pois, enquanto para a influência não há uma conscientização dos objetivos posteriores, para a inspiração estes sequer são temas de preocupação, pois são amplamente conhecidos e justificáveis por própria convicção. Para aquela não há adesão nitidamente consciente, enquanto que para esta nem aceitação precisa, uma vez que tudo depois do fato inspirador se desdobra em ações originais. Parece confuso, mas tão somente porque este Enquirídio está tentando levá-lo a compreensão de algo sem influenciá-lo! Caso exemplos fossem colocados, certamente estaria contradizendo tudo o que fora posto até então. Exemplificar um assunto pode ser uma forma de inspirar, mas também, caso não tenha ocorrido assimilação objetiva, servirá para influenciar. Estas questões merecem ponderações frequentes, pois são parte do cotidiano mundial, ainda mais quando inclusas as equações das diversas informações espalhadas nos meios de comunicação de massa.

Inspiração é algo que lhe toca profundamente, deixando de ser uma mera sugestão passiva, ou seja, respeitosa para com as suas faculdades mentais, pois não busca se inserir em seus pensamentos de maneira hostil, como alguém que arromba uma porta para adentrar na casa alheia, passando a servir como referencial imagético de algo que condiz com suas próprias razões. Desta condição suas ações, conforme dito, sobressaem das limitações replicantes, pois serão, embora semelhantes, originais, justificáveis por convicção. Aquele (alguém ou algo) que inspira não impõe condições, barganhando credenciais ou mendigando atenção. Ele simplesmente vai na frente e quem quiser seguir, sinta-se livre. Talvez o exemplo recaia sobre uma atitude positiva ou ideia razoável, embora independente de autorias. Assim sendo, admissão é premissa indispensável para se inspirar, enquanto a influência exerce pressão perfurante para confundir suas razões ou inserindo juízos não ponderados, pois restam na qualidade de intrusos mentais. Podem até ser admitidos, mas não pacificamente ou por pura convicção. Indução talvez. Infelizmente, quem quer que permita ser persuadido não poderá inspirar.

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