Todos Merecem um Código Moral!

Embora não funcione, praticamente todos os lugares supostamente democratizados possuem leis que deveriam nortear a conduta do povo perante a nação, desde um simples trabalhador até um funcionário do mais alto cargo governamental. Infelizmente, parece que injustiças decorrem mais deste sistema, uma vez que os investimentos a longo prazo para o desenvolvimento da civilidade são extremamente deficientes, inexistindo também fiscalização satisfatória para o cumprimento dos ordenamentos. Diante deste cenário caótico, nenhuma solução parece viável, correto?

A Epítome Ontológica Universal
Errado! Pensar desta forma sempre foi o caminho mais fácil para ser íntimo da corrupção. Apesar do mundo estar pelo avesso, você não pode tomar essa situação como premissa para assumir uma postura acovardada, permitindo que qualquer um assuma suas faculdades mentais, ditando as suas próprias regras morais.

Todos merecem um código moral! Diferentemente da ética, este somente se vincula a pessoa, sendo basicamente o resumo das razões pelas quais você faz ou deixa de fazer algo, porém independentemente de cobranças alheias, motivo pelo qual apenas reflete suas próprias verdades, concebidas na intimidade.

Noutros termos, conduta moral é tudo aquilo que alguém faz ou deixa de fazer por assim compreender como certo ou errado, pouco importando o que os outros digam. Caso lhe seja imoral (por gozar de plena juventude) estacionar em local destinado aos idosos, jamais deixará seu veículo parado numa vaga dessas, mesmo que os outros, talvez pessoas próximas, acreditem que nada acontecerá pela inoperância da fiscalização de trânsito.

Existem inúmeros códigos morais, mas nenhum deles poderá ser considerado seu propriamente senão concordar através de um sentimento profundo que aqueles preceitos devem ser honrados. Inclusive, dentre vários exemplos, também é possível montar um que lhe possa ser exclusivo. Contudo, nenhuma moralidade poderá ser concedida sem inspiração, algo forte o suficiente, embora mentalmente, capaz não apenas de guiar, mas condicionar limites. Entretanto, estas balizas não são éticas ou legais, pois não pertencem comumente a todos.

Antigamente, toda casta Samurai do Japão seguia o Bushido (Caminho do Guerreiro), máxima moral que impunha apenas um conjunto de sete regras básicas para uma convivência inspirada na disciplina. Logicamente, embora a história relate um período denominado de Unificação Japonesa, ninguém possuía os mesmos interesses, motivo pelo qual nem sempre estes mandamentos eram respeitados. Contudo, mesmo atualmente, existem pessoas que acreditam nesses preceitos, merecedores de total reconhecimento: "razão; bravura; benevolência; cortesia; sinceridade; honra; lealdade".

Mesmo a ficção presente em livros e filmes exploram este universo moral buscando inspirar pessoas no mundo todo a cultivarem regras particulares que possam conduzir para uma vida consciente. Vale lembrar, neste ponto, aquele Juramento do Velho Código citado no longa metragem Coração de Dragão, quando Bowen, personagem principal interpretado por Dennis Quaid, relutando ao seu dever, recebeu um chamado de sua própria consciência, imaginando o compromisso mítico, legado pelas lendas de Avalon e a Távola Redonda do Rei Arthur, relembrando os preceitos pelos quais fundou seu espírito de cavaleiro. Assim sendo, ecoava em sua cabeça as seguintes razões morais: "um cavaleiro jura bravura; seu coração só tem virtudes; sua espada defende o oprimido; seu poder apoia os fracos; sua palavra fala só a verdade; sua fúria destrói a maldade". Imagine agora um país onde todos pudessem basear suas ações nestes valores. Contudo, condizer com um regramento íntimo como esse não é algo para qualquer um. Somente os mais fortes e sábios conseguem aplicá-lo em benefício de suas atitudes para consigo e outrem.

Analisando apenas estes dois códigos morais é possível perceber alguma semelhança. Isto ocorre porque a moral não é tão subjetiva quanto se imagina, possuindo características realmente próprias, mesmo independentemente da cultura de cada civilização. Como exemplo, tome do Bushido os preceitos voltados à bravura, benevolência e sinceridade e compare com o Juramento do Velho Código quando elenca deveres ao cavaleiro. Certamente encontrará correspondências exatas para cada uma dos três mandamentos.

Quando uma verdade lhe é revelada no âmago do seu ser, talvez uma voz ou pensamento dizendo para nunca fazer isso ou aquilo, independentemente do que qualquer um possa dizer, provavelmente estará diante de uma razão moral. Vale a pena anotá-la e refletir sobre o que esta mensagem quer dizer. Neste ponto, suponha que para você é errado matar, desde uma simples formiga até um ser humano. Mesmo que ninguém esteja presente para lhe julgar, sua determinação lhe impede de quebrar tal regra, principalmente perante uma mosca chata que poderia ser eliminada com um simples bater de mãos. Inclusive, quem sabe rompê-la (aquela certeza) não o tornasse infeliz e, por não desejar este sentimento, continue evitando tais práticas. Isto não significa condizer com a adoção dos mandamentos de Buda, embora seja idêntico ao primeiro dos cinco preceitos budistas. Resumidamente, possuir um código, apesar de condizente com uma ou outra concepção, livremente de qualquer acepção (religiosa, filosófica, política etc.), moralmente depende exclusivamente da vontade própria de querer possuir uma melhor conduta para consigo e outrem.

Possuir um código moral não é apenas uma solução para sua própria vida, mas também para melhor lidar com as insuficiências ineficazmente sustentadas pela ética empobrecida e leis facilmente relativizadas, conforme interesses particularizados. Assim como um escudo, sua moralidade lhe permitirá manter-se convicto, atraindo a confiança das demais pessoas ao seu redor. Nada melhor do que alguém que pratica aquilo que percebe ser correto. Para descobrir se algo é certo, basta praticar empatia, colocando-se sempre no lugar do outro.

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