Como Crer na Ciência da Crença?

Dentre as mais variadas polêmicas atuais, principalmente pelas diversas correntes conspiratórias sobre tudo o que existe e mais um pouco, surge uma questão realmente merecedora de atenção: quando crer na ciência se torna crença. Talvez por ausência de comprovação ou inviabilidade de meios, mas diversas informações rotuladas por científicas terminam sofrendo pela própria estrutura cartesiana, ou seja, daquele método que proporciona o conhecimento de algo por e para todos, contanto que aplicadas determinadas racionalidades.

A Epítome Ontológica Universal
Indo direto ao ponto, certo cientista duvidou das propriedades retilíneas do percurso da luz, crendo que esta podia sofrer certa curvatura em decorrência da suposta (por ora) deformação do espaço. Dois grandes problemas rotulariam esta crença de maluquice se não tivesse sido engenhosamente comprovada.

Primeiramente, como a luz emitida por um farol, empiricamente observada sem qualquer desvios, poderia sofrer certa curvatura? Adiante, quem em plena consciência enxergaria no céu estrelado a possibilidade daquele espaço escuro possuir alguma deformidade? Isso parece mera crença infundada.

Apesar da limitada tecnologia, Albert Einstein não só possibilitou o vislumbre da deformidade do espaço, como também mostrou que a luz sofre certa curvatura ocasionada por questões gravitacionais - algo que Isaac Newton. por inviabilidade de meios, não conseguiu enxergar na época. Como isso foi feito? Nada que dois pontos distintos no globo terrestre, cada qual com um observador, um eclipse e muito sincronismo não resolvam.

Neste sentido, perceba que uma crença ganha credibilidade quando um método é desenvolvido para a constatação daquilo que se quer provar. Quando a experiência se repete sempre apresentando os mesmos resultados, talvez consiga perdurar como uma teoria, permanecendo neste status até que seja refutada (mesmo a Relatividade Geral pode ser contestada, mas, para tanto, carece de argumentos amplamente comprováveis). Também pode ocorrer desta sofrer uma evolução (como o upgrade dado à física de Newton por Einstein sobre a gravitação).

Quando uma informação é universalmente aceita como verdadeira, geralmente expressada de maneira muito simples, porém irrefutável, cientificamente é considerada lei, fundamental ao desenvolvimento de hipóteses (como a da Panspermeia, relativa ao surgimento da vida na Terra), assim como de outras teorias (como a do Buraco Negro, proposta por Stephen Hawking). Neste ponto, talvez descartes tenha acertado, pois ciência é algo pertencente aos números. Teorizar sem reduzir a questão aos experimentos numéricos não passaria de mero devaneio.

Acontece que diversas questões, principalmente noutras áreas do conhecimento humano, parecem mais voláteis do que relativas. Tome por exemplo as "ciências jurídicas", fundadas em ficções decorrentes dos status sociais de determinadas civilizações. Imagine que num dado momento, certo direito era categórico, sempre existindo para todos. Contudo, noutra época, através de "novas teorias", aquilo que era defeso a quem quer que fosse passou a ser meramente inexistente. Qual método mesmo se certificava de sua integridade? Agora veja noutro campo como as coisas podem se comportar. Dentro das "ciências psicológicas", problemas mentais (seno a própria mente um conceito abstrato, cujas definições não são próprias de um ou doutro conceito) como esquizofrenia, perante uma sociedade extremamente dinâmica (para não dizer instável), terminou virando espectro de transtornos correlatos para tornar a "coisa toda" mais administrável por vias medicamentosas e terápicas. Assunto que demandou postagem específica (O Fator Determinante no Processo Terapêutico) para melhor explicar as ponderações deste Enquirídio.

Outras pessoas talvez consigam enxergar uma matemática ou geometria nas "ciências jurídicas e psicológicas", mas perante tanta volatilidade, talvez terminem se desgastando tanto quanto Nicolau Copérnico para comprovar que a Terra não era o centro do sistema, sendo certo a perseguição de acadêmicos mais acomodados com essa condição volátil, assim como Galileu Galilei o fora pela Igreja de Roma quando defendeu abertamente o heliocentrismo. Embora nada esteja parado, existem aqueles que acreditam na estagnação das coisas para não se desprenderem de suas zonas de conforto.

Imagine como seria se conectar por meio da internet se houvesse tanta volatilidade no processo de emissão e recepção de dados. Impossível! Somente por soluções matemáticas - e não relativizações do que poderia ser "isso" ou "aquilo" - este texto pode ser lido por outra pessoa, noutro lugar do mundo, afastando qualquer necessidade de crença sobre o método de conexão com a rede mundial de computadores (salvo quando seu provedor é tão instável quanto uma sociedade pode ser). Desta forma, parece existir uma linha muito tênue daquilo que pode ser ou não considerado científico.

Quando os cientistas teorizaram haver uma partícula elementar responsável por conferir massa às demais, creram na ciência como forma de comprovar suas crenças. Naquela ápoca, inexistiam os meios para tanto, mas hoje, diante de tecnologias como o Grande Colisor de Hádrons, tronou-se mais próximo provar a existência daquilo que restou denominado por Bóson de Higgs. Inúmeros cálculos, realizados repetidamente, conseguem reproduzir a experiência de maneira incontestável. Então, será que as consideradas "ciências não exatas" oferecem alguma segurança?

Existem inúmeros profissionais competentes que lidam com as "ciências não exatas" de maneira precisa, tão certa quanto o funcionamento de um relógio suíço. Contudo, grande parte somente se permitem crer na ciência da crença, quando seus valores, desdobrados através de políticas, subvertem aquilo que poderia ser algo mais próximo de uma lei, conforme explicada anteriormente, do que mera volatilidade, interessante somente aos que conseguem pôr suas mãos sobre ela, visando modificá-la para condizer com suas próprias necessidades travestidas de científicas.

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