Seres Iluminados, Literalmente

Costuma-se dizer que aqueles que atingiram a plena consciência são seres iluminados. Dentre os mais conhecidos, destacam-se Krishna, Cristo e Buda. Exemplos inconfundíveis, embora existam outros de grande importância como Lao Tsé, Krishnamurt e Osho (citando apenas estes perante uma extensa lista). Acontece que atualmente o conceito de iluminação é diferente, pois ninguém parece consciente enquanto estão literalmente iluminados, quando os rostos passam a refletir o brilho da tela dos aparelhos telefônicos chamados (mono)celulares.

A Epítome Ontológica Universal
Aliás, hoje ninguém mais parece querer um (mono)celular (em alusão ao potencial isolamento daqueles que optam por se relacionarem somente através deste aparelho telefônico), um dispositivo de comunicação ultrapassado, limitado por suas próprias características temporais. Quem em pleno século XXI perde tempo telefonando?

Assunto já tratado em outras vertentes nas postagens A Família Cibernética do Século XXI, A Vida em Touch Screen e Um Olhar Rift à Tecnologia, porém reprisado por merecer estar sempre em evidência devido ao seu impacto no convívio humano, principalmente para que os efeitos futuros possam ser já alertados.

Como se percebe, praticamente todo mundo quer um smartphone para que suas vidas sejam instantaneamente facilitadas, pois a única interação necessária hoje em dia é através do toque em tela. Contudo, será mesmo que esta tecnologia smart está conseguindo deixar as pessoas mais inteligentes? Ou os humanos realmente já levantaram bandeira branca, abandonando a própria capacidade mediante uma conveniência viciante?

Basta perambular pelas ruas para constatar que a maioria das pessoas caminham, comem e conversam olhando para um smartphone. Isto não parece nada se comparado ao fato de que muitas crianças já nascem escravas dessa tecnologia, principalmente quando os pais também o são e admitem-na como forma de se ausentarem da educação de seus filhos. Lamentável, mas para se livrar de um vício é necessário primeiramente reconhecer a dependência, sendo esta algo geralmente voltada ao objeto que supostamente revela sentimentos de prazer.

Supostamente, pois o prazer em utilizar um smartphone para interagir com o resto do mundo não está no aparelho, mas no que ele pode fazer - e isso varia conforme cada pessoa. Para uns, o símbolo revelado pela marca do telefone pode agregar valores sociais, sendo prazeroso a posse de um objeto como esse. Para outros, todos os estímulos se encontram nas proezas que os hardwares e/ou softwares podem fazer. Contudo, na maioria das incidências, parece notório que a limitação imposta por tal tecnologia repousa sobre os canais virtuais de relacionamento como messengers e redes sociais.

Independentemente do tipo de prazer, ninguém parece completo sem um smartphone, como se já fosse um membro do corpo do qual não se pode simplesmente deixar de lado. Inclusive, poucos são os que conseguem desligá-lo ou mesmo colocá-lo longe de si enquanto dele não estão precisando - o que já é um grande avanço. Talvez num futuro distante as pessoas se deem conta de que o mundo é muito maior do que uma caixinha reluzente. Quem sabe não se tornem realmente seres iluminados quando passarem de dominados a dominadores dessa tecnologia?

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