Como o Destino Se Revela

Dentre as definições mais simples sobre o que é o destino, embora não responda certamente a questão, resolvendo apenas o problema imediato, gerado principalmente pelas aflições do ego, destaca-se aquela proveniente de um dos diálogos no filme O Último Samurai, quando o protagonista Nathan Algren, interpretado por Tom Cruise, responde aos questionamentos de Katsumoto Moritsugu, personagem representado por Ken Watanabe, dissolvendo concepções insensivelmente deterministas, existentes em diversas crenças até os dias de hoje.

A Epítome Ontológica Universal
Dentre as principais dúvidas de Katsumoto estava exatamente algo que mais parecia uma curiosidade acerca dos mistérios do tempo, cuja dimensão somente é percebida no exato momento em que o futuro se torna presente e este, por sua vez, passado. Aquilo que não pode ser compreendido termina se tornando algo do destino.

Inconformado com as próprias conclusões e na eminencia de um conflito armado, Katsumoto questiona Algren se "acredita que o homem pode mudar o seu destino", motivo pelo qual este, ponderando suas palavras, responde da seguinte forma: "acho que o homem faz o que pode até o destino se revelar".

Perceba como isso é simples! Quando alguém deseja algo, basta compreender o que está fazendo efetivamente para que aquilo se revele. Exemplificando, caso alguém queira ser admitido num exame, nenhum futuro poderá ser satisfatório se não houver empenho nos estudos, restando ao destino se revelar de maneira mais do que evidente. Contudo, uma revelação diferente com certeza aguardará a pessoa que permanecer estudando até à admissão.

Infelizmente, algumas pessoas teimam em acreditar num destino estático, providencial, incapaz de ser alterado pelos esforços diários. Talvez esta seja realmente a revelação que aguarda aqueles que nada fazem para melhorarem suas condições. Contudo, tudo que é natural continua em pleno movimento como a própria expansão do Universo ou mesmo a corrente d'água, fluente como todas as coisas são, incluindo as questões mais etéreas. Desta forma, como alguém pode pensar ser incapaz de fazer algo por si mesmo até sua final destinação?

Dentre as inúmeras lições sobre o destino, talvez esta seja uma das mais acessíveis por estar inserida num épico oriental, dentro de um contexto realístico, no qual somente a determinação seria capaz de trazer uma revelação diferente daquela visualizada por Katsumoto antes de reaver suas esperanças, perdidas até serem reencontradas nas palavras de Algren. Desta forma, aquele "óbvio" se tornou "relativo", pois o homem, embora não possua o condão de alterar tudo ao seu redor, ainda é capaz de lutar por aquilo que lhe está próximo o suficiente para ser ignorado.

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