Quanto Vale Um Like?

Depois de inventarem a moeda como forma de trocar quantias, não necessariamente por outras quantidades, mas por um símbolo que as representassem enquanto valores, mesmo passando a existirem diversos fatores de influência como o petróleo, as ações, os juros, talvez uma das mais modernas invenções monetárias tenha sido realmente o like button (botão de curtir). Entretanto, adotar esta nova medida e a partir dela usufruir de um comércio virtual poderá custar muito caro na conversão cambial, cujas taxas geralmente vinculam a perda da saúde, tanto física quanto mental.

A Epítome Ontológica Universal
Nada contra compartilhar algo com alguém através da internet. Inclusive, esta é a mesma rede que permite entes distantes matarem a saudade na impossibilidade de estarem juntos ou fazer com que as postagens deste Enquirídio cheguem até você. Não é este aspecto que será tratado adiante (por isso, abra um grande parêntese).

Muitas pessoas terminaram por adotarem as curtidas recebidas como algo valorativo, como se aqueles números revelassem o quão são aceitas por aqueles que visitam seus perfis, mesmo sem conhecê-las. Neste contexto, quanto mais likes houver, seja numa postagem, numa foto ou mesmo num vídeo, mais popular se é.

Seguida da Síndrome de Messias relatada na postagem Disciplinando o Uso do Facebook deste Enquirídio, obter curtidas "custe o que custar" virou a nova estratégia de comunicação humana diante de um mundo virtualizado. Quantos youtubers simplesmente mendigam por likes ao final de seus vídeos? Crer-se que todos. Aliás, muitas são as jovens que atualmente se desnudam para o público visando popularidade através dos números obtidos pelo "amistoso" botão do polegar para cima.

A coisa está tão virtualizada que até mesmo abraçar, um gesto bastante afetuoso, virou jargão de comunicação online. O pior é quando alguém, na presença de outro, "manda aquele abraço" podendo fazê-lo pessoalmente. Ou seja, são as próprias expressões emotivas que estão sendo formatadas num padrão binário - e somente poucos estão percebendo isso! Expressões como "ele me negativou", que antes somente eram faladas por aqueles que, de alguma forma, eram acionados pelo sistema de proteção ao crédito (o famigerado Serasa), agora fazem parte do cotidiano dos dependentes de likes.

Muitas pessoas estão simplesmente perdendo a saúde, tanto física quanto mental, por se deterem aos sistemas ditados pelas redes sociais - como se o próprio sistema (econômico, político, bélico etc.) já não fosse, por si só, um imenso problema! Isto soa como uma matrix dentro de outra! Níveis de aprisionamento, a priori, psicológico, mas que ganham dimensões biológicas com o passar do tempo. Dentre os sintomas, depressão, manias de perseguição, compulsividade, apatia, sexualidade exacerbada, neuroses, histeria e uma que merece destaque: vazio da alma (a ser abordada futuramente).

Ninguém merece ser rotulado pela quantidade de likes em suas publicações, pois isto não significa absolutamente nada! Talvez para uma empresa, cujo principal objetivo ainda é obter lucro acima de tudo (padrão que, quem sabe um dia, desapareça), os dados e estatísticas por curtidas apontem alguma informação importante para o negócio (salvo raríssimas exceções, de empreendimentos que valorizam o usuário antes de tudo). Esta é a condição do homem? Curtir como nova moeda? Quanto mais, maior a popularidade, melhor o engajamento? Crer-se que não.

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