Disciplinando o Uso do Facebook

Perante a ampliação dos relacionamento por intermédio das redes sociais, algumas pessoas simplesmente não conseguem romper o vínculo com ambientes online como o Facebook, deixando de se relacionarem presencialmente com suas famílias, amigos ou mesmo pessoas completamente desconhecidas, talvez um garçom de restaurante ou um vendedor de loja. Aparentemente tudo está disponível nestes lugares virtuais, inclusive problemas. Contudo, sempre é possível praticar o autocontrole para não cometer excessos que certamente acarretarão perda de saúde físico-mental.

A Epítome Ontológica Universal
Através das redes sociais é possível pesquisar restaurantes e lojas sem sair do conforto do lar. Também é possível manter contato com amigos e familiares. Contudo, não passam de experiências virtualizadas, desprovidas de emoções e presença humana. Algo muito mais próximo do robótico do que biológico.

Para muitas pessoas, redes sociais como o próprio Facebook se tornaram verdadeiras drogas cotidianas, tomadas de manhã, de tarde e de noite (e de madrugada). Quanto a dose? Não existe qualquer receita que prescreva o uso comedido - e justamente por isso muitos se excedem ao extremo (overdose).

Dentre todos os possíveis problemas gerados pelo Facebook, o principal ainda decorre da compulsão por informações desnecessárias. Venenos capazes de conduzir alguém a fazer aquilo que sequer havia desejado. Por exemplo: diversos usuários, mesmo amigos de infância, terminam se confrontando nos comentários em postagens controversas, muitas vezes retóricas, projetadas especificamente para tal finalidade. Acabam por brigarem na "vida real" sem mesmo perceberem a manipulação.

Para quem ainda se mantém cético sobre o potencial de manipulação, basta conferir a postagem O que o Facebook Esconde de Você neste Enquirídio, que aliás, jamais credenciaria tal informação se ela não tivesse sido veiculada pela própria porta-voz da rede social. Você já reparou, caso não utilize plugins como o AdBlock, que diversas plataformas online, incluindo o próprio Google, capturam suas pesquisas e as convertem, apresentando-lhe constantemente em janelinhas laterais ou banners centrais, em anúncios? Parece um dado tolo, que qualquer pessoa consegue observar. Entretanto, quantos internautas compram de maneira compulsiva, estouram cartões de crédito, justamente por conta da repetição destes "inofensivos" expositores de produtos? Pesquise sobre qualquer coisa que possa ser adquirida e observe se "toda a internet" não irá convergir para que aquele item realmente consiga chegar em suas mãos. Obviamente que quanto mais repetimos um conteúdo, mais chance há para assimilá-lo ou vencer pelo cansaço. Este lugares virtuais são verdadeiros classificados, que por conveniência, dispõem de ferramentas para interação como timelineschats ou mesmo vídeos.

A Epítome Ontológica Universal
Toda precaução parece pouca na hora de "manusear" qualquer conteúdo disponibilizado no Facebook. Muitos pais terminam deixando seus filhos de lado por conta de uma simples interação virtual nesta rede social. Quantas pessoas não atrasam serviços por se distraírem demais com verdadeiras bobagens nestes ambientes? Isto sem falar dos inúmeros casos de desconfiança, quando os cônjuges e namorados trocam a conversa franca por investigações em perfis alheios. Contudo, apesar de diversas complicações e fatores negativos alarmantes, ainda é possível utilizar tais plataformas de relacionamento de maneira positiva e saudável.

LIMITAR O TEMPO ONLINE é a primeira e mais fundamental medida para quem realmente não consegue se desprender do monitor, seja no notebook, tablet ou celular. Como fazer isto? Existem diversas possibilidades, mas a melhor ainda é reservar somente um horário no dia para resolver o que for necessário no Facebook. Cancelar o chat deixando-o offline e passar a utilizar as mensagens como se fossem emails. Isto reduzirá o imediatismo, deixando a conversa mais objetiva. Inclusive, através desta medida, será possível acumular muito mais assunto para, quem sabe, despejá-lo numa conversa presencial com familiares, amigos e colegas. Ter que ter uma resposta automática para tudo fará de você uma pessoa superficial. Mesmo quando se domina um tema, parece prudente pensar como pronunciá-lo, pois ninguém possui um "padrão de fábrica" para assimilar o que quer que seja dito. Existem várias formas de se falar a mesma coisa, mudando o ritmo, a entonação, a pronúncia, o idioma etc.

NÃO COMPARTILHAR DÚVIDAS talvez seja uma questão de ética e não somente de bom senso. Quanta informação infundada circula pela internet? Será que tudo o que seus familiares, amigos e colegas publicam está correto? Quais são as fontes e há provas para tanto? Termina que a própria informação começa a ser questionada se se parar para pensar. Quando alguém se depara com uma "notícia" sobre algo alarmante, talvez um terremoto, a probabilidade de raciocínio é reduzida em números negativos. Ou seja, as pessoas terminam agindo instintivamente, replicando algo sem averiguar a procedência. Isto é primordial para uma "sociedade" alimentada pelo consumismo, frenesia e imediatismo. Parece que o termo reflexão virou algo realmente inatingível! Ninguém pára para questionar - e quando uma informação é lançada pela mídia, parece verdade universal. Basta entender que se um dado foi veiculado na timeline de uma revista, por exemplo, é possível checar junto aos envolvidos daquela circunstância a veracidade daquele conteúdo, se foi realmente aquilo que ocorreu. Afinal, todo mundo tem, ao menos, um endereço de email.

A Epítome Ontológica Universal
A SÍNDROME DE MESSIAS com certeza é a doença mental mais difícil de ser combatida. Praticamente todo mundo hoje quer ser seguido! Ou seja, na época em que o Nazareno começou administrar seu perfil, buscando pregar a boa-aventurança e salvar a humanidade, somente haviam originalmente doze seguidores. Hoje, apenas para disseminar o caos compartilhando memes e "notícias" infundadas, qualquer pessoa se sentiria humilhada se só uma dúzia de usuários do Facebook adicionasse-o como amigo ou curtisse a sua fanpage. Inclusive, "adicionar" e "seguir" não são mais sinônimos nesta rede social. Use isto ao seu favor!

Ninguém é amigo de 2 mil pessoas! Dentro da "sociedade", muitos são conhecidos, colegas, parentes distantes ou, às vezes, entes evitáveis (não deveria ser assim, mas nem tudo é perfeito). Amigos mesmo, ou seja, verdadeiros aliados que possam compreender você, bem como lhe advertir quando for preciso sem prejudicar a relação, são poucos - e isto inclui amizades que realmente se encontram longe, motivo pelo qual as redes sociais são importantes. Acontece que, embora você conheça 2 mil pessoas, nem todas precisam ser seguidas. É possível manter vínculos entre perfis sem ter de segui-los. Tal conduta garantirá receber publicações em timeline realmente desejáveis. Há quem detenha em sua conta diversas conexões, mas seguindo nenhuma delas! Isto somado ao "controle de tempo" certamente lhe disponibilizará tempo para viver na realidade, buscando coisas que te preencham beneficamente. Desta forma, aqueles que somente destilam veneno em seus perfis não o atingirão. Aliás, para quê adicioná-lo mesmo?

SEGUIR O QUE REALMENTE IMPORTA se baseia no procedimento anterior e poderá ser adotado perante fanpages. Muitas páginas no Facebook oferecem conteúdos de qualidade, baseados nos gostos e necessidades do público. Desta forma, é possível curtir alguma página, talvez para ajudar o negócio de um amigo (se bem que isso não é nada estratégico), mas sem segui-la, reservando seu próprio feed (onde aparecem as publicações) para aquilo que realmente interessa. Isto também se aplica aos grupos e eventos.

POR TRÁS DAS MÁSCARAS nem sempre aquilo que está, de fato, é. Confuso? Pense que numa imagem postada "agora há pouco" alguém está brindando em comemoração, talvez, por ter adquirido um carro novo ou ter ganhado uma promoção. Certamente a foto deixará uma impressão de "perfeição", pois ninguém costuma publicar informações delas próprias em estados indesejados sem que estejam se promovendo, mesmo quando pedem, quase mendigando, por alguma atenção - e isto acontece frequentemente, bastando observar um pouco mais de perto para perceber.

A Epítome Ontológica Universal
Se a vida das outras pessoas parece mais interessante do que a sua, saiba que há uma verdade única e inquebrável neste mundo: ninguém é perfeito! Ao retirar todas as máscaras, todos são feitos da mesma essência, muito embora ignorem este "pequeno" detalhe. Acontece que ultimamente a humanidade têm consumido cada vez mais imagem daquilo que ela acredita ser real, quando na verdade tudo não passa de um "conto de fadas" via quilobites. Basta estar num dia difícil e visualizar uma postagem "perfeita" (um colega festejando num super evento da empresa) para determinar que toda a sua existência não passa de lixo inaproveitável.

Este problema não é exclusivo do Facebook. Aliás, ele permeia todas as redes sociais e também o mundo real. É uma espécia de epidemia nacionalizada, cujo principal sintoma se configura pela completa falta de empatia e amor próprio, causando desconforto com a própria realidade ao acreditar que tudo que acontece no mundo externo (leia-se vida dos outros) é melhor do que suas conquistas, méritos, virtudes etc. Achar que a grama do vizinho é sempre mais verde não pode gerar bons sentimentos. Inclusive, ambientes virtuais são lugares propícios à disseminação da inveja, um dos Sete Pecados Capitais de São Tomás de Aquino que brevemente será abordado neste Enquirídio. Não é porque alguém divulgou um vídeo onde tudo parece perfeito que seus valores sejam mais ou menos importantes. Afinal, aquele que se basear tão somente em momentos não compreenderá o presente, pois o que é, já foi e não mais será. Somente no irreal as coisas tendem a se perpetuar como verdades imutáveis.

Pense que existem pessoas que visualizam momentos inteiros tão somente ao visualizarem uma imagem (pior quando são vídeos). Nada contra recordar bons momentos ou pessoas que partiram para outro plano, mas sobreviver de fotografias (excetuando os fotógrafos, obviamente) como se não houvessem mais oportunidades ou como se estas não estivessem no nível desejado é criar complexos desnecessariamente - e pode ficar certo de que o algorítimo do Facebook é especialista em transformar pessoas em poços de complexidades.

Para todos os efeitos, Facebook nada mais é do que um ambiente virtual - e como tal, não merece credibilidade. Embora exista, ninguém gostaria de ter uma namorada holográfica ou pilotar uma lancha de vídeo game sendo possível experienciá-las na vida real, com todas as sensações e emoções que somente o contato físico poderia proporcionar. A virtualização não é tão interessante quanto parece, ainda mais se você não precisar dela. Sobre isto, o que é realmente preciso para viver e encontrar a plenitude que foto nenhuma jamais conseguirá registrar?

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