A Pressa de Chapecó

Segunda trágica para todos que se solidarizaram com a queda do avião que transportava o time de Chapecó de Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) para Medellín (Colômbia). Dentro dos primeiros instantes, ninguém sabia as possíveis causas do acidente, que ainda permitiu a sobrevida de algumas pessoas que estavam a bordo. Contudo, informações trocadas entre o piloto e o centro de controle revelaram "falta de combustível" da aeronave para completar o trajeto. Certamente, saber deste "pequeno detalhe" reverberou sentimentos de punição aos irresponsáveis.

A Epítome Ontológica Universal
Segundo informações da SWISS, aquele modelo de avião que caiu na Colômbia possui autonomia de voo equivalente a apenas três mil quilômetros, sendo a distância entre Santa Cruz de La Sierra e Medellín 2.985 km, apenas quinze quilômetros de combustível entre chegar ou não ao destino.

Dispensando maiores ponderações acerca da capacidade humana de agir no limite da sanidade, pois reservar somente quinze quilômetros de combustível reserva é equivalente, senão pior, do que praticar roleta russa com duas balas num tambor com capacidade para cinco projéteis. Absurdo sem qualquer sombra de lógica.

Fazer com que várias pessoas paguem pela pressa alheia é desumano, digna de um Tribunal de Nuremberg, pois se todos ali soubessem destes dados, recusariam absolutamente estas passagens, adquiridas na modalidade frete como pretensão de chegada ao destino, embora matematicamente as condições tenham se apresentado amplamente desfavoráveis. Resta saber quais motivos determinaram a escolha por uma pressa sem qualquer precisão.

Primeiramente, pleitearam um voo fretado direto de São Paulo até Medellín. Contudo, acertadamente fora proibido pela ANAC (motivos técnicos e legais sobre segurança). Buscando burlar o controle aéreo brasileiro, decidiram (quem, somente as investigações revelarão) fretar um avião de baixa autonomia a partir de Santa Cruz de La Sierra. Muito dinheiro, pouca fiscalização e um fator crucial para tudo dar errado: pressa. Nada neste mundo justificará atalhos que colocam a vida de alguém em risco para tentar chegar mais rápido.

Todos sabem que a pressa é inimiga da perfeição, necessária, sobretudo, mediante procedimentos matemáticos envolvendo cálculos múltiplos sobre diversas condições: tempo, vento, altitude etc. Jamais um voo com apenas 15 km de reserva de combustível deveria sair de solo. Isto representa uma completa irresponsabilidade de quem, por algum motivo, achou que um avião comportaria voar em "ponto morto", mesmo que por alguns instantes. Resta, portanto, aguardar apurações e canalizar as energias positivas aos que ainda necessitam diante deste completo absurdo.

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