Esquizofrenia Ligada ao Misticismo e Filosofia?

Esquizofrenia, uma doença, em termos simplórios, complicada e de difícil tratamento, uma vez que a interação da família será praticamente perpétua no controle dos sintomas, certamente será o problema central do presente século. Os motivos são factíveis: basta compreender o valor da realidade atualmente para saber que há um limiar muito tênue dividindo o real do virtual, restando à vida indecisa sobre o que é melhor para ela. Contudo, este não é o tema desta postagem (deverá ser numa próxima publicação), mas outro igualmente preocupante e correlato.

A Epítome Ontológica Universal
Estudiosos sobre esquizofrenia não chegaram ao consenso sobre sua origem, mas as subdivisões didaticamente concebidas atualmente na psicologia moderna auxiliam os terapeutas no tratamento de distúrbios que por ora se revestem de características esquizofrênicas. Diversos pacientes poderiam ser diagnosticados como esquizofrênicos se um leigo os avaliasse tão somente através de informações precipitadas, disponibilizadas na internet sem a menor preocupação ética. Isto, pois os diagnósticos em psicologia (em associação psiquiatra) não são fáceis ou rápidos. Eles demandam tempo - e a medida deste ainda é muito subjetiva, assim como aquilo que poderá se chamar cura.

Numa determinada página relativa a entendimento sobre a esquizofrenia, consta a seguinte informação sobre supostos sintomas iniciais: "em alguns casos ocorre interesse demasiado por temas exóticos, místicos, religiosos, astronômicos ou filosóficos, que passam a dominar o cotidiano da pessoa. Dúvidas acerca da sua existência, explicações filosóficas sobre coisas simples da vida e uma necessidade permanente de buscar significados podem deixar a pessoa mais introspectiva e isolada socialmente". Dentre os reais indícios positivos (assim denominados na literatura clínica) desta doença, destacam-se o delírio e as alucinações, principalmente as auditivas, cuja importância impõe grande esforço ao acompanhamento, pois os comandos emitidos pelas "vozes" podem instigar comportamentos violentos, autodestrutivos ou mesmo suicida. Existem outros indicadores, mas o modo de interagir de um esquizofrênico não pode ser mensurado com preconceitos, ainda mais sobre valores incompreendidos.

Certamente este Enquirídio não poderia deixar de abordar o que é o valor e suas consequências contextuais, mas agora, não se pode dizer que inclinações sobre preferências de pesquisas ou modo de ver o mundo são indicativos de esquizofrenia, tratada infelizmente por diversos profissionais da área da saúde como um tabu nocivo. Isto porque a maioria da "sociedade", assim como os dançarinos de um grupo de balé, dançam conforme o ritmo da música. Contudo, será que existe uma única canção no contexto social? Sabemos que não - e mesmo assim informações arcaicas teimam em sua própria auto-sustentação. Aparentemente, um místico como Descartes poderia ter sido um esquizofrênico, ao menos em potencial. Kant, diante da perspectiva citada, foi incontestavelmente. Acontece que hoje, com a percepção da física quântica, da medicina genética, da psicologia arquetípica, qualquer quebra de paradigma poderia ser equivocadamente rotulada pelo título que ladeia esta doença. Ser ou estar introspectivo ou mais apático sobre o universo que o rodeia não torna aquela pessoa autista ou paciente, alguém "contaminado" com este tipo de enfermidade mental (ou puramente neurológica).

Ao certo, um paciente de esquizofrenia pode viver num mundo completamente virtualizado, ou seja, independentemente do real. Por exemplo, não gostar de nenhum esporte não significa absolutamente nada, embora maioria da "sociedade" recrimine preconceituosamente, ainda mais no Brasil (onde o futebol é quase uma religião obrigatória), mas no caso do John Nash, premiado com o Nobel da matemática (retratado no filme Uma Mente Brilhante de 2001), sua realidade sobrevivia num contexto completamente fictício quanto alguns aspectos, como uma vez em que recebera uma suposta mensagem extraterrestre, cujo teor criptografado somente ele poderia decifrar. Noutro caso, o artista plástico Louis Wain, reconhecidos por suas pinturas de felinos, abandonou, de certa forma, a temática central de suas telas para reproduzir gatos quase abstratos (e totalmente irreconhecíveis noutras ocasiões). Existe uma progressão de ilustrações atribuídas ao avanço de sua esquizofrenia, mas não há como saber a ordem em que foram concebidas. De toda forma, os estudos naquele tempo ainda eram embrionários e, até hoje, estão inconclusos.

Não são os lunáticos que preocupam. São os mais integrados ao sistema que certamente poderão alavancar quadros de esquizofrenia ou, pior, doenças mentais sequer conhecidas. A cisão da realidade pela inserção da virtualização exacerbada, cujos valores se encontram depositados em ficções, acarretará relativizações bruscas, bastando, para tanto, adesões massivas para que a parcela não pactuante seja considerada exceção, mas de maneira excludente. Ou seja, a própria esquizofrenia, como diagnosticada atualmente, poderá ser brevemente questionada.

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