Praticando a Observação da Mente

Pense por um minuto sobre quantas vezes você se curvou diante de supostas necessidades pessoais, adotando determinadas posturas, mesmo sabendo que essas mais adiante o deixariam desconsertado, arrependido ou frustrado. Muitas pessoas agem equivocadamente por não compreenderem os poderes da mente, que por ser negligenciada, acaba subvertendo a própria vontade, como se fosse uma criança sem limites, cujo impulso proveniente da ingenuidade se torna um alvo muito fácil perante as ofertas de um mundo materialista, competitivo e individualizado.

A Epítome Ontológica Universal
Independentemente dos tipos de relações, sejam simplórias ou complexas, a mente descontrolada tende a criar universos paralelos, como um labirinto de espelhos, cujas imagens, embora sejam meros reflexos de um única verdade, apresentam variações capazes de confundir o discernimento, até mesmo do intelecto mais aguçado.

Os desejos da mente, por este motivo, não passam de ilusões percebidas como projeções da realidade. Assim, todas as perturbações são originadas a partir das escolhas tomadas segundo a capacidade persuasiva daquela mentalidade desenfreada, incapaz de ponderar sobre o que vem a ser necessário.

Compreenda que somente existe uma realidade, mas sua mente insiste em observar as múltiplas possibilidades, embora nenhuma delas seja necessária. Isto somente acontece quando uma mentalidade desencadeadora de pensamentos distorcidos, desprovidos de capacidade ponderativa, recebe atenção. Seria confuso tecer maiores comentários sobre os processos de consciência, motivo pelo qual, preocupe-se tão somente com o experimento proposto a seguir.

Sabendo que a sua mente é capaz de interferir negativamente em seu discernimento, ou seja, na sua capacidade de ponderar, imagine-se como uma existência independente de sua mentalidade, daquelas vozes, imagens ou sensações que lhe afligem involuntariamente. Quando aqueles pensamentos lhe ocorrerem, procure se colocar longe deles, como se fosse um observador à distância. Não os ignore, pois isto significa dizer que você não é capaz de lidar com eles, fazendo com que retornem muito em breve. Trate-os como um juiz! Analise-os de maneira prudente até desacreditá-los completamente ou identificar quais, dentre todos, merecem apreciação, ou seja, quais devem ser levados em consideração. Parece difícil no começo, mas com o tempo estas auto-análises lhe possibilitarão compreender a essência de suas perturbações, daqueles conflitos internos que parecem inesgotáveis. Assim como os pais de um recém nascido não conseguem determinar inicialmente o que aqueles choros significam, qualquer pessoa está passiva de deslizar perante os mistérios da consciência. Contudo, através da experiência, os sinais mentais se tornarão cada vez mais nítidos e diferenciáveis.

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