A Família Cibernética do Século XXI

Essa publicação é mais uma dentre as inúmeras emissões de alertas sobre a degradação da família face ao processo de globalização denominada Nova Ordem Mundial. Não se trata de um pensamento formado livremente, vulgarmente rotulado por teoria conspiratória, mas de uma constatação diária, aferível, sobretudo, dentro do próprio lar (ou o que restou dele). Pior que a maioria das pessoas têm consciência (ou ao menos conhecimento) sobre o que se encontra postado logo abaixo neste Enquirídio, mas preferem não enxergar.

Desde o surgimento dos aparelhos de televisão, a família deixou de ser o centro das atenções do lar. Basta perceber o processo de inserção deste objeto eletrônico numa casa. Antigamente, quando tais aparelhos somente eram fabricados por poucas empresas do ramo, seu valor de mercado era altíssimo e, por isto, mesmo os mais "ricos socialmente" (sim, entre aspas) somente possuíam uma unidade em suas residências. É certo que este perfil de consumo mudou em pouco tempo: cozinhas e quartos também passaram a conter televisores em seus interiores.

Pode parecer tolice, mas assim que a televisão passou a ter um cantinho mais do que especial na casa, os hábitos familiares mudaram. O próprio assunto do dia não são mais os objetivos familiares, mas aquilo que o(a) apresentado(ra) do telejornal matutino "informa" (sim, mais aspas). Esta interferência se estende por todo o dia nas emissoras nacionais, desde o momento que a pessoa acorda até a hora em que ela vai dormir. Pior que quase tudo do que por elas são veiculados se tornam, a depender da mentalidade, verdades inquestionáveis, sem possibilidade de questionamentos, como um ditador - e o mais engraçado é que ninguém gostaria de viver numa ditadura.

Quantas vezes você acordou bem humorado e passou disto para pior, em frações de segundo, ao observar uma notícia trágica ou mesmo "informações" (aspas pra quê te quero) sobre prováveis sintomas de doença, que por sinal, coincidem com suas sensações naquele determinado dia. A partir daí, é certo que as preocupações diárias passam a levar em consideração tudo o que foi dito pela televisão.

A televisão influenciou inúmeras famílias durante décadas e hoje conta com um forte aliado para a desconstrução da família: os meios de comunicação sem fio. Como se não bastasse um aparelho eletrônico dizendo para as pessoas o que fazer durante o dia todo, elas agora não mais confraternizam. Aliás, sequer se olham! Nas culturas antigas, desde as bárbaras até as refinadas, baixar a cabeça é um sinal de subordinação - e hoje as pessoas se subordinam para equipamentos de tela sensível ao toque. Olhar para cima atualmente é sinônimo de "estar desconectado".

A vida em família têm se resumido a troca de mensagens por Whatsapp, comentários em Facebook e marcações em Instagram. Mesmo em confraternização, os smartphones, tablets e notebooks continuam tocando, vibrando, ascendendo, como se fossem crianças à espera dos cuidados dos pais, embora não sintam nada, já que são máquinas!

Parece que neste século nenhum neto precisa mais daquele avô para lhe contar histórias ou daquela avó ranzinza, que mesmo assim tem a maior satisfação de falar sobre os mistérios da vida para que seus entes queridos possam ser pessoas melhores. Aliás, os pais atualmente são tratados por algumas instituições como meros empecilhos, uma vez que todos agora podem suprir suas necessidades "informativas" (aspas, para não perder o costume) através da conexões banda larga. É certo que a internet trouxe grandes avanços, mas tudo em demasia é prejudicial e nem sempre as respostas podem ser encontradas na modernidade, motivo pelo qual a família ainda continua sendo a base da sabedoria para aquilo que restou denominado humanidade.

É perfeitamente compreensível que algumas pessoas discordem. São inúmeras ocorrências trágicas envolvendo morte de pais por filhos, sequestros de sobrinhos para que os tios consigam as outras partes das heranças que estão com os irmãos. Ainda existem aqueles que abandonam seus frutos por não serem exatamente o que esperavam. O inverso também ocorre: inúmeros asilos repletos de genitores abandonados. Os problemas vão surgindo e parece que a melhor alternativa dentro de uma casa é cada um baixar a cabeça para digitar freneticamente!

Nem sempre o vício em tecnologia, principalmente em smartphones, tablets e notebooks, é o problema, mas o meio para tal. Existem inúmeros casos de pais que abandonam os filhos para permanecerem em jogos online, chats de internet etc. Depois uma mãe, por exemplo, não sabe o porquê de sua filha não lhe procurar e prefere achar que fora abandonada ou que a criança a desrespeita. Estes exemplos são ínfimos diante da diversidade de consequências acarretadas pelo uso descontrolado dos meios de comunicação virtual.

Cada um vive em seu mundo isoladamente através de seus objetos eletrônicos com conexão wi-fi, como se esta segunda vida virtual fosse mais importante que a própria realidade. Ter uma vida normal, desfrutando da companhia dos familiares parece algo irreal ou inaceitável diante desta cyber "sociedade". O lar agora nada mais é do que um mero ponto de acesso.

Todos conectados, porém sós.

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