O Mestre Marcial Perfeito

Esta postagem certamente será o primeiro passo para a formulação de um conjunto de publicações relativas aos ensinamentos transmitidos através da prática marcial, mas sem adentrar nos critérios técnicos de cada arte. Para este Enquirídio, o mais importante é fazer com que o buscador compreenda meios de absorver uma filosofia de vida através de atividades físicas, uma vez que movimentos superficialmente objetivos podem revelar conceitos profundamente subjetivos, aplicáveis ao cotidiano de cada um, independentemente de sua condição atual.

Depois da Segunda Guerra Mundial, as artes marciais começaram a se popularizar no ocidente, mas não necessariamente através de instrutores legítimos. Isso fez com que, a princípio, elas parecessem "conversa para boi dormir". Entretanto, com a emissão de representantes oficiais ao mundo, logo se percebeu que elas eram eficientes e, por vezes, letais. Aliás, muitos se matriculavam em escolas de Jūdō (Caminho da Suavidade), por exemplo, apenas para poder derrubar outras pessoas com maior precisão - e esta é uma concepção aquém dos princípios de um bom Dōjō (Lugar do Caminho).

Os princípios marciais são profundos demais para serem compreendidos da noite para o dia. Mesmo os orientais, por conta da subversão da cultura promovida por potências mundiais, terminaram esquecendo os fundamentos daquilo que criaram - e isto numa proporção minoritária. Por isto, um verdadeiro mestre é aquele que detém o conhecimento técnico e o pratica em todos os aspectos de sua vida. Parece confuso, certo? Mas isto só é difícil de assimilar se você observar a aparência de um movimento sem buscar a sua essência - e por isto campeonatos não ajudam muito.

Para diversos praticantes de artes marciais, o mais importante está em vencer o oponente. Logicamente, ser derrotado numa batalha não é uma boa opção (aliás, nem o é) quando estamos tratando de guerras reais. Contudo, num protótipo de civilização como esta, é lamentável que as pessoas continuem nutrindo desejos de agressão, como se derrotar alguém lhe trouxesse algum benefício senão o ganho imediato de orgulho, dinheiro e problemas. Sim, grandes complicações surgem ao "vencedor" (sim, com aspas), como o medo, pois, a partir de então, ele deve sustentar o seu título a qualquer custo.

Segundo Yoda, aqui simbolizando o arquétipo de mestre marcial perfeito, "o medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento". Será que isto somente acontece nos filmes ou pode ser um fato para muitos praticantes de artes marciais neste mundo? Independentemente do seu gosto pelo cinema, esta é sem dúvida a maior verdade sobre este sentimento. Aquele que vence uma competição, jamais desejará perder e, desta forma, passa a viver complexado, pois a qualquer instante poderá ser desafiado a provar seu merecimento pelo título. A partir desta condição mental, tudo começa a se apresentar obscuro, tenebroso e sombrio a sua volta.

Se na vida você quer ser realmente um vencedor (desta vez sem aspas), esta é a primeira lição: nunca se submeta a competições. Aquele que não se submete a qualquer meio de prova, jamais poderá ser provado - e por isto permanece intacto. Não se trata, pois, de nunca poder prestar um exame de admissão. Isso é completamente diferente! Uma empresa contrata o candidato melhor posicionado de acordo com os seus próprios interesses e se submete a isto quem quiser. Contudo, neste exato momento, a natureza não está lhe pedindo qualquer provação e, mesmo assim, continua sustentando sua existência, pois ela não almeja cobrar nada em específico de ninguém. Já imaginou se para obter oxigênio as pessoas tivessem que lutar entre si todos os dias? Este planeta seria um verdadeiro inferno, caótico assim como nos filmes pós-apocalípticos, onde todos terminam mortos no final - e isto um dia, quem sabe muito em breve, poderá deixar de ser mera ficção para se tornar real.

0 comentário(s):

Postar um comentário